Há feridas que permanecem abertas não porque sejam incuráveis, mas porque o ressentimento não permite que cicatrizem. Perdoar nem sempre é fácil. No entanto, é nesse caminho exigente que o coração se liberta do peso da mágoa e reencontra a paz.
No Evangelho deste domingo, Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar alguém que o ofende: “Até sete vezes?”. A resposta surpreende: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. Jesus mostra que o perdão não se reduz a cálculos ou limites. Somos chamados a perdoar sempre, porque assim é o coração de Deus: próximo, compassivo e terno.
Quantos sofrimentos poderiam ser evitados se o perdão e a misericórdia fossem o estilo da nossa vida! Isso vale também para a família: quantas famílias permanecem desunidas porque não conseguem se perdoar; quantos irmãos e irmãs carregam rancor no coração. É necessário viver o amor misericordioso em todas as relações humanas.
Deus nos perdoa sem medida, não porque mereçamos, mas porque nos ama. Sua misericórdia não pode ser comprada nem retribuída, é dom gratuito. Cada um de nós é, antes de tudo, alguém perdoado. Reconhecer essa verdade muda a maneira como olhamos para as falhas do próximo e nos ajuda a oferecer o perdão que tantas vezes recebemos.
Assim compreendemos mais profundamente a frase que recitamos na oração do Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Essas palavras contêm uma verdade decisiva: não podemos desejar para nós o perdão de Deus e, ao mesmo tempo, recusá-lo ao próximo. Elas nos convidam a abandonar o ódio e o rancor. Se não nos esforçarmos para perdoar e amar, também não seremos capazes de acolher plenamente o perdão e o amor que Deus nos oferece.
Perdoar não significa aprovar o erro, apagar a memória ou permanecer em situações de violência. Significa não permitir que a ofensa continue governando a nossa vida. É entregar a Deus a dor e abrir espaço para que Ele cure o coração.
Sem perdão, o ressentimento cresce e rouba a esperança. O perdão é o oxigênio que purifica o ar contaminado pelo ódio, o antídoto contra o veneno da mágoa e o caminho que desarma a raiva. Quando perdoamos, imitamos Deus e semeamos vida nova ao nosso redor.

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