Há 526 anos, uma Cruz esteve diante daqueles que participaram da primeira Celebração Eucarística realizada em terras brasileiras. Em 26 de abril de 1.500, em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, começava uma história de fé que atravessaria os séculos e marcaria profundamente a formação do nosso país.
No ano passado, tive a graça de percorrer novamente esse caminho. Durante 15 dias, atravessamos mais de 20 cidades em Portugal e no Brasil, conduzindo a Cruz da Primeira Missa em uma peregrinação que nos levou às raízes da nossa história.
Essa experiência está registrada no documentário Terra de Santa Cruz, que chegou ao Globoplay no dia 14 de setembro, 'Festa da Exaltação da Santa Cruz'. Não poderia haver data mais significativa. A Cruz que atravessou o Atlântico volta agora a viajar por meio das telas, levando uma mensagem de fé, memória, encontro e esperança.
Quando idealizamos essa peregrinação, sabíamos da importância histórica daquela Cruz, hoje preservada no Tesouro-Museu da Sé de Braga, em Portugal. Mas não desejávamos simplesmente transportar uma relíquia de um lugar para outro. Peregrinar com ela significava revisitar uma história de mais de cinco séculos e perguntar: o que ela pode nos dizer hoje?
A Cruz é o grande sinal do amor de Deus pela humanidade. Para o cristão, é sinal de entrega, redenção e vida nova. Ao longo da peregrinação, compreendemos que o verdadeiro caminho não era feito de quilômetros. A Cruz abria caminhos de encontro.
Ao meu lado estava Wilza Neves, indígena da etnia Pataxó. Sua presença nos recordava que, muito antes da chegada dos portugueses, já existiam nesta terra povos, culturas, histórias e modos de compreender o mundo.
A vinda dessa Cruz foi marcante para todos nós. Vivemos uma experiência de fé, conhecimento e difusão da cultura, que nos permitiu reconhecer mais profundamente o Brasil, um país que tem, desde as suas origens, a fé como uma realidade marcante.
Há 526 anos, essa Cruz chegou ao Brasil trazida pelos navegadores portugueses. Agora, retornou conduzida também pelas mãos de uma mulher indígena Pataxó. Essa imagem nos convida a ressignificar aquele acontecimento e a revisitar nossa história a partir do encontro, do diálogo e do reconhecimento daqueles que já estavam nesta terra.
É também esse o convite de Terra de Santa Cruz: olhar para esse processo histórico com novos olhos. Um país não deve esquecer sua história. Precisa conhecê-la e compreendê-la para construir caminhos de fraternidade e esperança.
Somos herdeiros de uma longa história de fé, e precisamos continuar escrevendo essa história. Desde aquela primeira Missa, em 1500, a Eucaristia continua sendo celebrada todos os dias nesta Terra de Santa Cruz.

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