Na última semana, a notícia de que a carne não irá cair de preço por conta do tarifaço americano nos pegou desprevenidos, com o garfo e a faca nas mãos. Sim, porque o combinado é que todas aquelas arrobas que não foram exportadas seriam redistribuídas para os açougues e mercados brasileiros, o que abaixaria o preço final para nós, os consumidores de churrasco. Segundo o tal mercado interno, a procura por um bom naco de filé mignon, picanha, fraldinha, entre outros, impossibilitou a promoção.
Mas isso nem foi o pior.
Descobrimos agora que o efeito colateral do tarifaço na cerveja brasileira não será a ressaca. Isso porque, ao contrário do previsto, os milhares de decalitros que deixaram de ir para os bares americanos por conta dos 50% de taxação do Pato Donald Trump não cairão automaticamente mais baratos nos nossos copos, o que é lamentável.
E tem mais, amigos, no caso da cerveja, a bebida sequer deve ficar mais cara por lá. E sabem por quê? Porque os americanos também são grandes produtores de cervejas artesanais. As lourinhas feitas em casa por lá representam mais de 13% do total das vendas, segundo li no site do Guia da Cerveja.
Sendo assim, o tema central da reunião do conselho dos anciões aqui do Principado de Água Santa foi o que faríamos para baratear o nosso tradicional churrasco:
Vamos produzir nossas cervejas.
Então, Fred, o amigo suíço, se prontificou de montar o laboratório necessário para a produção da bebida. Adilcinho se ofereceu como voluntário pra ajudar a levantar todo o equipamento.
Mas quando Fred começou a ditar os acessórios: moedor de grãos, fogareiro de alta pressão, o panelão; balança de precisão, termômetro, pá cervejeira, mangueiras, chiller, fermentador com Airlock, arrolhador e garrafas confesso, rolou um certo desânimo na tropa.
Julio deu sua opinião:
- Talvez seja melhor apostar na costela bovina, que ainda está barata...
E, começamos a buscar outras opções. Em momentos de crise financeira, é importante manter a mente aberta para se buscar ideias que possam garantir nossos velhos hábitos: fígados, peito, frango, peixes (usando mais a sardinha do que o dourado), a volta da sopa do cavalo cansado, mocotó com grão-de-bico, cozido à moda e à portuguesa...
E, até angu do jeito baiano. O vizinho de bombordo bateu palmas - ele é baiano...
Ainda bem que lembrei da carne suína na brasa, morou?
O vizinho dos fundos foi voluntário em conseguir madeira para o fogão:
- Conheço dono da madeireira – ele disse.
Tudo planejado e passamos logo a ação. Antes, claro, uma suculenta sopa, para dar energia.
Quando estava quase tudo equacionado, espetacular foi a palavra do vizinho dos fundos:
- Tem uma parafernália de tina, canos de vidro e equipamento que o filho mais velho, já casado e morando no Paraná, deixou aqui. Acho que é uma espécie de laboratório. - E concluiu: - Quase joguei fora. Vai servir para a cerveja de todo o dia!
Os ânimos, que haviam sumido no meio da parafernália listada pelo Fred, ressurgiram em grande estilo: Crise da carne? Que crise? A da cerveja, não. Viva a mente humana.