Parece que deu a louca no tempo – e no mundo. E essa falta de rumo do clima já atinge até mesmo o passaredo. Quer prova maior do que aconteceu na segunda-feira, 22, chegada da primavera? Naquele dia, antes mesmo que o relógio digital marcasse, às 15h19, a passagem do inverno para a primavera, a temperatura já tinha feito uma escala num verão escaldante de 40 graus de temperatura.
Em alguns momentos, o vento não balançava nem folhinha, em outros derrubava árvores. No Sul do país arrastou até mesmo uma casa inteira. No Rio, a manhã foi de endoidar passarinho. De manhã cedo, o amigo Ronaldo, que mora próximo à orla da Zona Sul carioca, viu as gaivotas voando baixinho, o que sempre fazem pra fugir das tempestades. Só que a chuvarada não veio naquela hora e elas subiram novamente aos céus, para mais tarde arremeter mais uma vez, por conta de um novo pé d’água.
Em SP, o temporal caiu horas depois de o governo anunciar que o Sistema Cantareira, maior represa de abastecimento de água da cidade, estava entrando em seu volume morto, nome que usam, com certa lógica, pra dizer que a água tá acabando e que o povo vai ter que racionar.
Mas, enquanto tem frio e calor, e temporal e seca espalhados pelo país, a nova estação até chegou na hora certa: o chão amanheceu pintado de vermelho das acerolas e pitangas. E combinamos entre os amigos que a próxima reunião do conselho será dedicada ao novo mutirão de poda das nossas três parreiras. Uma data de colheita sempre festiva e regada a cerveja e churrasco....
No último encontro, realizado na quarta-feira passada, enquanto aguardávamos uma fornada de pão de queijo quentinha que a patroa preparou para acompanhar o cafezinho do grupo, Júlio comentou sobre o humor do clima, que anda variando mais do que o de técnico de futebol com os comentários dos internautas:
Já está na hora de separarmos duas alternativas de calçados para quaisquer situações: lá em casa, já tem tamancos e galochas de prontidão.
Mas o que vem atrapalhando a vida da fauna e da flora daqui não é o clima: são os helicópteros de rádios e tevês, que, a exemplo do que ocorreu na Polônia com os drones russos, andam invadindo o nosso espaço aéreo para registrar os engarrafamentos da cidade nos horários de rush. E fazem ponto justamente na altura do pedágio da Linha Amarela. Sem nosso consentimento.
Incomoda porque a ventania quente produzida por essas máquinas voadoras derruba os frutos das árvores e assusta os pássaros. E não é só isso: deixa a Chiquinha, a cadela daqui de casa, ensandecida tentando perseguir as aeronaves.... Fora o fato de que o vento quente produzido pelos motores ameaça pôr fogo nas matas secas da Serra dos Pretos Forros, ameaçando nossa biosfera.
O Fred, o suíço que entende de voos, com milhares de quilômetros viajados, se prontificou a fazer cartazes, com mão e contramão, pra organizar o espaço aéreo. E, pra garantir uma nova fonte de recursos para o suprimento de carnes e cerveja do Principado, sugeriu a cobrança de pedágio para essas aeronaves que insistem ciscar por aqui.
Aprovamos por unanimidade.