A novidade aqui na caverna, nos últimos tempos, tem sido o canto, ao amanhecer, de um casal de sabiás que desembarcou por aqui há algumas semanas. Desde então, não falha: 5 horas da matina eles começam a cantoria. Hora de levantar para a faxina no quintal. Os bolsos da minha bermuda, sempre abastecidos com milho, com farelo e bolinhas de miolo de pão dormido. É o desjejum da passarada. As ararinhas são as mais famintas. Só falta aparecerem também na hora de acender a churrasqueira. Já o casal de Bem-te-vi é arisco e reservado. Fica sempre perto do pé da fruta-do-onde, no ponto mais afastado do centro do quintal, onde o movimento de aves, gatas, cadela e humanos é sempre muvucado.
Nesta semana, enquanto alimentava a bicharada, uma nova notícia sobre a contaminação de bebidas pelo Metanol, me transportou ao passado. Eu sou do tempo que o Metanol era apenas o combustível para modelos de aviões em miniatura. Metanol para os aeromodelos, e chope, e sem batismo, para os pilotos.
No Aterro, tinha, ou ainda tem, pistas para a prática de aeromodelismo. Mas, de lá pra cá, a coisa evoluiu tanto que hoje temos mais drones nos céus do que aeromodelos.
No Aterro, tinha, ou ainda tem, pistas para a prática de aeromodelismo. Mas, de lá pra cá, a coisa evoluiu tanto que hoje temos mais drones nos céus do que aeromodelos.
Levei o assunto para a reunião do Conselho. E, como uma lembrança leva a outra, defendi que bom mesmo era eram as peladas, nas ruas. A infância e adolescência de cada um dos amigos da Caverna sempre foi assunto nos encontros dos amigos. Afinal, recordar é viver.
Aliás, o tema do encontro de hoje na caverna, foi nosso passado. Para aguçar as lembranças, o som do toca-discos é do Bienvenido Granda, um antigo cantor cubano de boleros.
Fred trouxe dezenas de fotos de inúmeras reuniões dos amigos. Recordar é viver. Todos tinham cabelos pretos. O tempo passa, o tempo voa e vai tingindo as madeixas de branco. Bem, nem todos. Alguns estão carecas.
Parece que estão na “muda”. Para eles, Cláudio, o barbeiro, fixou no salão aviso: preço especial para aparar os calvos, ou quase carecas.
Bem, com a queda da temperatura, Adilcinho deu ideia do sopão, antes das carnes na brasa. Sugestão aceita. Todos preparando legumes e verduras. E, também os salgados. Torradinhas já prontas!
Vizinho de boreste aproveitou para avisar sobre plano de ir até a Ilha Grande:
- A Prefeitura de Angra está cobrando taxa de R$ 95,00, por cabeça, para visitar a ilha - e arrematou: - O Abraão vai ficar vazio.
- A Prefeitura de Angra está cobrando taxa de R$ 95,00, por cabeça, para visitar a ilha - e arrematou: - O Abraão vai ficar vazio.
Cesário acrescentou:
- Fora as passagens das barcas, ida e volta.
- Fora as passagens das barcas, ida e volta.
Lembrei do passado.
Conheci a Ilha quando era um garotinho de quase três anos. Era quase um deserto. Era uma terra de caiçaras, presos e familiares de presos.
Adilcinho trouxe o assunto de volta ao presente e ponderou:
- Ultimamente, estava acontecendo uma enorme invasão de turistas.
Fred foi em frente: - Os mosquitos vão passar fome com a taxa da Prefeitura e os comerciantes vão reclamar...
- Ultimamente, estava acontecendo uma enorme invasão de turistas.
Fred foi em frente: - Os mosquitos vão passar fome com a taxa da Prefeitura e os comerciantes vão reclamar...
No meio da fala dele, alguém avisou:
- A sopa está pronta. Coloquem cinto de segurança e não abusem da pimenta!
Era Ibiapina, que ainda remendou: - Não esqueçam do babador!
- A sopa está pronta. Coloquem cinto de segurança e não abusem da pimenta!
Era Ibiapina, que ainda remendou: - Não esqueçam do babador!
Fred, gozador, enterrou de vez o assunto:
- Lavem as mãos e não esqueçam as torradas. Ah! E risquem do programa o Abraão. Temos Paquetá, aqui pertinho e sem taxa de entrada.
- Lavem as mãos e não esqueçam as torradas. Ah! E risquem do programa o Abraão. Temos Paquetá, aqui pertinho e sem taxa de entrada.
Aprovado.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.