A semana que passou deixou o país estarrecido com a notícia sobre a falsificação de bebidas com metanol que, até agora, provocou pelo menos oito mortes. Uma história muito grave, que deve ser apurada com rigor. Mas não é inédita. Em 99, pelo menos, 35 pessoas morreram na Bahia de álcool "batizado" com o produto nocivo ao organismo humano... O mesmo metanol! Na época, a bebida batizada com esse veneno foi um artigo 100% nacional: a cachaça. Agora, qualquer destilado está na lista negra.
Não que antes da década de 1990 não houvesse falsificações de bebidas. O batismo sempre fez parte da lista das más condutas, mas não trazia risco de morte. Eram apenas ingredientes irregulares destinados a aumentar a quantidade de líquido. No máximo, causavam grandes ressacas.
O reaparecimento do metanol, 26 anos depois, demonstra um retrocesso até mesmo no submundo das falsificações...
Eu sou do tempo que os batismos em bebida eram feitos com água, cachaça vagabunda e outros nutrientes não aconselháveis, mas, de certa forma, comuns aos seres humanos... E esse batismo antigo tinha até mesmo expressão de protesto: "não põe água no meu chope".
Por isso, a notícia nesta semana sobre o envenenamento por metanol foi tão estarrecedora...
Vivemos num período de inúmeras falsificações. Aliás, esse será o tema inclusive da próxima novela, cuja trama irá falar sobre uma falsa medicação contra o câncer.
Isso me fez lembrar também do ano de 1998, quando houve uma grande falsificação de pílulas anticoncepcionais. O contrabando ali gerou uma geração de filhos da pílula de farinha.
Mas qual o mais grave? A pílula da farinha, que deixou um sem número de mulheres grávidas, ou a mistura de metanol em bebidas nacionais mais batizadas do que a água que bebemos?
Hoje, são inúmeras as falsificações: produtos de marcas, suplementos para saúde, combustíveis, até mesmo queijos podem ser adulterados... E a gente fica pensando em como se proteger.
Sobre os produtos ingeríveis ou combustíveis, o amigo Fred, suíço com um “Q” legítimo de inventor, sugeriu que deveríamos criar um tipo de robô que, a exemplo de antigos reis, servisse como cobaia para experimentar a nossa comida ou bebida – capaz, inclusive, de gerar imediatamente uma análise de dados! Gostei.
Mas enquanto isso não acontece, fico pensando em soluções plausíveis.
Amigos, confesso, até o momento, só lembro de um único produto resistente à fraude: o ovo!
Mas, abro aqui um espaço para as sugestões dos leitores amigos. Diante de um mundo tão esquisito, que produtos vocês apontariam como imunes a esses tempos?