Celso Mattos, presidente do Sinderepa e Vice-Presidente da FirjanPaula Johas

Celso Mattos, presidente do Sindirepa e vice-presidente da Firjan, é empresário do setor automotivo e fundador do Comitê Nacional do GNV, reconhecido por sua liderança e inovação. Casado e pai de duas filhas, transforma desafios pessoais em inspiração para fortalecer pessoas, empresas e o setor de reparação automotiva no Brasil.
SIDNEY: Quais mudanças ou regulamentações o senhor considera essenciais para o crescimento do setor de proteção veicular?
CELSO MATTOS: O setor de proteção veicular necessita de uma regulamentação clara que assegure segurança jurídica e concorrência justa. O processo atual prejudica associações e oficinas, sendo essencial uma norma transparente, coerente e com responsabilidades bem definidas. O Sindirepa desenvolve soluções inovadoras para o setor e anunciará novidades durante o evento de 5 de dezembro, na 10ª edição dos Melhores do Ano, reafirmando seu compromisso com a modernização e a sustentabilidade na reparação automotiva.
De que forma a remuneração atual impacta a qualidade dos serviços prestados e a sustentabilidade das oficinas?
A remuneração abaixo do valor de mercado inviabiliza a manutenção de estrutura, tecnologia e mão de obra qualificada, comprometendo a qualidade dos serviços e a sobrevivência das oficinas. A sustentabilidade do setor depende de remuneração justa que reflita os custos reais, evitando prejuízos ao consumidor.
Quais desafios ainda precisam ser superados para ampliar a adoção do GNV em veículos leves e pesados?
O desafio principal é atualizar normas, simplificar processos e ampliar pontos de abastecimento, estimulando o uso de biometano como combustível sustentável e econômico. O Sindirepa atua na divulgação de conhecimento técnico e na promoção do uso seguro de GNV e biometano no Rio.
Quais são os riscos percebidos pelas oficinas quando há acordo direto entre seguradoras e terceiros? Esse tipo de negociação afeta a transparência e a segurança no setor automotivo?
Afeta, sim. Acordos diretos comprometem a qualidade, a segurança e a transparência, favorecendo o uso de peças ilegais e prejudicando toda a cadeia produtiva; por isso, são essenciais negociações formais com rastreabilidade e responsabilidade técnica.
Existem programas de capacitação específicos que o Sindirepa recomenda ou oferece?
Sim. O Sindirepa, em parceria com a Firjan e a Firjan Senai, oferece cursos e treinamentos que aprimoram a gestão e a qualificação nas oficinas, fortalecendo o setor e elevando seu padrão técnico.
Qual a política de reciclagem de peças que seja eficiente e viável para o setor?
A reciclagem de peças automotivas no Brasil carece de padronização nacional. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) preveja a logística reversa para alguns componentes, ainda não existe uma política nacional específica e estruturada que regulamente o reaproveitamento de peças de veículos sinistrados.
O mais próximo disso é a Lei do Desmonte (Lei nº 12.977/2014), regulamentada pelo Decreto nº 10.977/2022, que estabelece regras para o desmonte e venda de peças usadas, permitindo que apenas empresas credenciadas pelos Detrans realizem essas atividades.
Na prática, o mercado paralelo ainda predomina na venda de peças usadas, incentivando o roubo e o desmanche ilegal de veículos. O Sindirepa defende parcerias com desmontes legalizados e centros certificados para unir sustentabilidade, rastreabilidade e segurança no setor.