Pedro Guimarães, diretor-presidente da APRESENTAArquivo da Apresenta

Pedro Guimarães, diretor-presidente da APRESENTA, entidade que representa os promotores de eventos no país, é formado em Navegação e Comércio Exterior, com MBAs em Logística e Gestão Pública. Atua há mais de duas décadas em turismo, cultura, esportes e entretenimento. Foi diretor do Píer Mauá, secretário de Turismo e CEO da Marina da Glória, onde comandou a revitalização do espaço. Em novembro realizou o "Apresenta Summit 2025", no Rio, onde lideranças discutiram o futuro da economia da experiência no Brasil.
SIDNEY: O turismo de experiência é baseado no conceito de que o valor não está apenas no produto ou serviço, mas no momento memorável e único. O que falta para consolidar o Rio de Janeiro como protagonista global neste segmento?
PEDRO GUIMARÃES: A cidade já reúne os principais atributos da economia da experiência: beleza natural, cultura vibrante, calendário de eventos e capacidade de receber turistas. O que falta é transformar este potencial em estratégia permanente: mais conectividade aérea, segurança, manutenção urbana contínua e políticas estáveis de incentivo ao setor. Quando o ambiente de negócios é previsível, os investimentos acontecem naturalmente. O Rio tem vocação e reputação internacional — agora precisa de constância para ocupar o lugar que já merece no cenário global.
O Brasil movimentou R$ 68 bilhões em cultura e entretenimento no primeiro semestre de 2025. Qual a importância das leis de incentivo para o setor?
As leis de incentivo são fundamentais porque democratizam investimentos e viabilizam projetos que o mercado sozinho não financiaria. Elas estimulam a inovação, descentralizam a produção cultural e fortalecem pequenos e médios empreendedores, que representam a maior parte do setor. Quando há segurança jurídica e continuidade, o investimento privado acompanha e a cadeia inteira cresce - do artista ao fornecedor. Sem incentivo, perdemos competitividade, empregos e capacidade de projetar o Brasil como potência criativa.
O Rio vive uma boa fase no turismo e nos eventos. O que falta para transformar a situação em políticas públicas permanentes?
É preciso transformar boas práticas em políticas de Estado, com metas de longo prazo para segurança, infraestrutura, promoção turística e captação de eventos. Quando existe planejamento, governança e estabilidade regulatória, o setor responde imediatamente como estamos vendo agora. O Rio não precisa inventar nada novo: só manter o que funciona e ampliar a cooperação entre o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil.
Quais os impactos que a Reforma Tributária pode causar ao setor?
A reforma pode simplificar processos e reduzir desigualdades, mas ainda gera incertezas. O setor comemora a redução da alíquota para 60% nos eventos, mas ainda defende a inclusão de outros segmentos do turismo que ficaram restritos ao desconto de 40%. Há também preocupação com a implementação do novo sistema tributário e com o futuro das leis de incentivo culturais e esportivas, que podem ser afetadas com o fim de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS.
Os grandes eventos movimentam bilhões, mas dependem de infraestrutura. Onde o Rio ainda precisa avançar?
O Rio avançou em conectividade aérea, qualificação hoteleira e reocupação de equipamentos culturais e esportivos. Mas ainda temos desafios claros: mobilidade urbana, segurança e manutenção permanente de espaços públicos. São fatores que influenciam diretamente a decisão de investimento e a experiência. Quando esses pilares estão funcionando, o impacto econômico é imediato, como vimos no Carnaval, no Réveillon e nos grandes shows que projetaram a cidade internacionalmente em 2025.
Qual o legado do evento "Apresenta Summit 2025", realizado recentemente, para o setor?
O maior legado do "Summit" foi mostrar que o setor de eventos passou a ocupar o lugar que merece no debate econômico nacional. O encontro reafirmou que entretenimento é política de desenvolvimento, geração de emprego e integração social — não apenas agenda cultural. Reunimos governo, iniciativa privada, universidades, especialistas e entidades setoriais para construir pautas comuns e propor avanços estruturais, especialmente em relação ao financiamento, à regulação e à competitividade. Outro marco foi o reconhecimento público aos profissionais que ajudaram a transformar a economia da experiência no Brasil. Ao homenagear Abel Gomes, Ricardo Amaral, Roberto Medina e Nelson Drucker, o "Summit" não apenas celebrou trajetórias, mas consolidou uma cultura de valorização institucional — o que é fundamental para inspirar novas lideranças. O evento termina, mas o movimento continua: com articulação fortalecida, agendas permanentes e uma rede comprometida em fazer o setor crescer com responsabilidade, inovação e impacto social. Quando o Rio celebra, o Brasil cresce!