Em um cenário de Selic (taxa básica de juros) alta, o consórcio de imóveis tem sido uma alternativa de compra programada cada vez mais utilizada pelos brasileiros. Balanço da Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios) revela um crescimento de 52,5% nos negócios em dez meses e alta de 38,4% só em outubro, com o valor médio da cota em R$ 216.880. No que diz respeito às contemplações, foram mais de 104 mil, acumuladas de janeiro a setembro, com possível utilização de recursos que chegam a R$ 21,81 bilhões, ou seja, dinheiro que o consorciado poderá utilizar a qualquer momento para adquirir o imóvel. Ainda neste recorte, houve potencial participação de 24,1% da modalidade no total de mais de 433,86 mil unidades financiadas, o que inclui os consórcios, de acordo com dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).
Para se ter ideia, segundo a Abac, o consórcio de imóveis é o terceiro maior setor em número de participantes ativos no segmento. Por meio da modalidade, é possível adquirir o bem para morar ou para investir, ampliando o patrimônio, inclusive, para renda extra.
O sistema também permite a utilização do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), mas é preciso cumprir as regras do Conselho Curador do Fundo como não ter imóvel próprio e ter pelo menos três anos de carteira assinada consecutivos ou não. O balanço da associação indica que, no acumulado de janeiro a outubro, 3.610 consorciados-trabalhadores utilizaram parcial ou totalmente os seus saldos nas contas do FGTS para pagar parcelas, quitar débitos, ofertar valores em lances ou complementar créditos, totalizando R$ 291,12 milhões, de acordo com a Caixa.
“Ao demonstrar confiança, o consumidor brasileiro vem aderindo ao mecanismo, apoiado principalmente nos conhecimentos da essência da educação financeira. O resultado desse constante amadurecimento está no bom planejamento das finanças pessoais, incluindo o consórcio como opção para aquisição de bens ou contratação de serviços”, avalia Paulo Roberto Rossi, presidente-executivo da Abac.
Contemplação por sorteio ou lances
Quem pretende investir no sistema, é importante saber que, diferentemente do financiamento imobiliário tradicional, o consórcio de imóveis não tem pagamento de entrada ou juros nas parcelas. Os custos são a taxa de administração, o fundo de reserva e o seguro. Já as correções das prestações e do valor da carta de crédito para não perder o poder de compra acontecem anualmente por um índice de inflação como o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção). O prazo de pagamento pode chegar a 240 meses (20 anos) e a contemplação pode ser por meio de sorteios e lances. Neste último caso, para adquirir o bem mais rapidamente.
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