Banda Ghost B.C. leva de volta o heavy metal para o Imperator

De meter medo: Os assustadores rapazes suecos sobem no palco com máscaras, cruzes viradas e letras blasfemas

Por O Dia

Rio - Liderados por um estranhíssimo papa satânico (ou Papa Emeritus II) e formado por mais cinco caras mascarados, que usam como codinome Nameless Ghouls (espíritos do mal sem nome), perseguidos e detestados por extremistas religiosos ao redor do mundo, os assustadores rapazes suecos do Ghost B.C. trazem de volta o heavy metal para o Imperator, um pedido dos fãs para o projeto de crowd funding Queremos. 

Sinistro%3A o Papa Emeritus II e os Nameless GhoulsDivulgação


A casa do Méier, que abrigou shows de bandas como Slayer e Pantera nos anos 90, reabriu em 2012 e ganha em 4 de setembro seu primeiro show de som pesado após o retorno. No palco, máscaras, cruzes viradas e letras blasfemas como a do hit ‘Monstrance Clock’ — que exorta as pessoas a celebrarem o filho de Lúcifer da mesma forma que ‘O Vira de Jesus’, do repertório do Padre Marcelo Rossi, convida a louvar ao Senhor.

“Sabemos que existem grupos extremistas que não estão felizes com a gente e com o nosso trabalho, com as críticas que fazemos à Igreja. Mas até agora não tivemos nenhum tipo de ameaça à nossa integridade física”, conta um dos Nameless Ghouls, por telefone, em entrevista ao DIA. O Ghost (que adotou o B.C. ao lado do nome por “problemas legais” nunca revelados) já havia se apresentado no Rock In Rio, em 2013 — na época, grupos cristãos chegaram a publicar textos no Facebook e em blogs dizendo que o festival, que usa o slogan “por um mundo melhor”, jamais deveria ter convidado a banda para tocar. O segundo disco do grupo, ‘Infetissuman’ (2013), sofreu boicotes até durante o processo de produção, realizado nos Estados Unidos. Corais recusavam-se a gravar com o sexteto, várias fábricas não queriam prensar o álbum da banda, entre outros problemas.

O músico afirma que a crítica à religião é mais importante para a banda do que o imaginário demoníaco. “Queremos que as pessoas pensem, racionalizem as religiões e a maneira como elas afetam nossas vidas, nosso comportamento, nossa maneira de tratar uns aos outros”, diz. “Em nome dela, as pessoas se matam, se tratam como porcos. A religião oprime as mulheres, faz com que as pessoas sintam vergonha do que gostam, de sua sexualidade, de seu corpo, de suas vontades.”

O grupo nunca revela suas verdadeiras identidades — um portal chegou a afirmar que o enigmático Papa Emeritus II seria o cantor sueco Tobias Forge, que passou pelas bandas Repugnant e Subdivision. O grupo não confirma. “Digo apenas que os fãs continuam firmes no propósito de descobrir quem somos. Eles esperam o momento em que saímos do backstage para falar com a gente e tentam nos identificar, mas ninguém consegue”, conta o músico. Mesmo com a aparência medonha, ele diz que o objetivo do grupo é mais entreter do que assustar. “Somos caras legais, ao contrário da Igreja. Só queremos que o público se divirta”, diz.

No repertório, sucessos como ‘Monstrance Clock’, ‘Ritual’, ‘Con Clavi Con Dio’, sempre presentes em todos os shows, são esperados. No fim de 2013, a banda lançou o EP de releituras ‘If You Have Ghost’, que incluiu no repertório do Ghost covers inusitados e mais ligados ao universo pop, como ‘Waiting For The Night’ (Depeche Mode) e ‘I’m A Marionette’ (Abba). “Gosto muito de disco music e das coisas dos anos 70, 80 e 90. Mas só até 1997. Depois disso, ficou tudo uma merda!”, surpreende o Nameless Ghoul.

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