Aos 81 anos, Fred Falcão lança disco com a amiga Leny Andrade e prepara biografia

o repertório de 'Bossa Nossa', Falcão assina bossas-novas sozinho e ao lado de Ed Wilson e Carlos Henrique Costa, como 'Maré Cheia', 'Instantâneos' e 'Alô, Donato', homenagem ao amigo João Donato

Por RICARDO SCHOTT

Fred Falcão e Leny Andrade lançam disco em parceria
Fred Falcão e Leny Andrade lançam disco em parceria -

Rio - Concretizada agora no CD 'Leny Andrade canta Fred Falcão - Bossa Nossa', a parceria da cantora carioca com o compositor pernambucano radicado no Rio vem de uma admiração mútua, que já dura mais de 50 anos. E vem da época em que o então iniciante Fred - que vem se dedicando a discos próprios desde o começo da década, sempre ao lado de amigos - lustrava a cara de pau e batia na porta dos cantores a quem queria mostrar músicas.

O autor de clássicos como 'Shirley Sexy' (gravada por Marilia Pera) fazia isso de modo tão incisivo que, em breve, sai o livro 'Invadindo o Ensaio', uma biografia sua escrita pelo pesquisador Denilson Monteiro, ainda em busca de editora. O nome do livro vem de uma ocasião em que foi, sem avisar, a um ensaio do grupo vocal Os Cariocas. É uma situação que se relaciona com o começo da sua amizade com Leny.

"Em 1966 fui na casa da Leny mostrar uma música para ela. Ela adorou, mas estava de malas prontas para ir ao México, ia fazer os shows do Gemini 5 com o Pery Ribeiro. E me falou pra mostrar pro Severino Araújo, líder dos Cariocas", conta Fred, que foi correndo ao local onde o grupo ensaiava, na Rua Cupertino Durão, no Leblon. "O Severino quando cheguei lá, me falou: 'Garoto, você não vê que estamos ensaiando?' Ele depois se tornou muito meu amigo, mas era um sujeito muito franco".

Fred, que na época era advogado ("era a pasta 007 numa das mãos e a pastinha de letras na outra, e eu ainda era gago!", diz) acabou mostrando o samba 'Vem Cá, Menina', originalmente programado para ser gravado por Leny. Se deu bem - a música entrou no LP 'Passaporte', de 1966. "Mostrei com violão e voz e todos se enturmaram comigo na música. Severino disse que ia tirar uma música do disco para colocar essa. E olha o que tinha no disco: Gilberto Gil, Chico Buarque...", lembra.

Mais: Fred em outra ocasião, invadiu a casa de ninguém menos que Elis Regina, quando ela era casada com Ronaldo Bôscoli. Teve a cumplicidade de um mordomo da artista, conhecido como Pelé, de quem ficara amigo. "Ele me anunciou num dia em que estavam lá Miéle, Roberto Menescal. Elis disse que eu parecia com o (pianista) Luis Carlos Vinhas, mas era mais boa pinta", ri". "Mas ela não gravou nada meu na época".

No repertório de 'Bossa Nossa', Falcão assina bossas-novas sozinho e ao lado de Ed Wilson e Carlos Henrique Costa, como 'Maré Cheia', 'Instantâneos' e 'Alô, Donato', homenagem ao amigo João Donato. O antiogo parceiro Arnoldo Medeiros também aparece no disco - com ele, Fred escreveu nos anos 1970 uma sequência de músicas para trilhas da Rede Globo, que se tornou bastante popular. 'Shirley Sexy', de 'O Cafona' (1971), teve mais de cem regravações. "A Christiane Legrand, irmã do (cantor francês) Michel Legand, também gravou", recorda.

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Fred Falcão e Leny Andrade (alto) e a capa do disco da dupla, 'Bossa Nossa': unidos desde 1966 Divulgação
Fred Falcão e Leny Andrade lançam disco em parceria Divulgação

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