Uma viagem no tempo

Na próxima novela das 19h, Edson Celulari vive homem congelado que acorda depois de 132 anos

Por Gabriel Sobreira

Leonardo Nogueira dirige Edson Celulari (Dom Sabino) e Kiko Mascarenhas (Teófilo)
Leonardo Nogueira dirige Edson Celulari (Dom Sabino) e Kiko Mascarenhas (Teófilo) -

Imagina sofrer um acidente e acordar 132 anos depois? É o que acontece com Sabino (Edson Celulari), sua família e comitiva em 'O Tempo Não Para', próxima novela das 19h, que estreia dia 31 de julho, na Globo. "Para ele, que veio do século 19, é emocionante ver luz elétrica, altura dos prédios, cavalos motorizados (carros) como ele diz, as aves motorizadas (aviões), tudo isso que ele vai batizando", conta Celulari. "Ele vai se encantando com o progresso, ao mesmo tempo em que se depara com um ser humano pior, que não confia na palavra", completa.

A HISTÓRIA

Na trama de Mario Teixeira, o ano é 1886. Dom Sabino, dono da metade da Freguesia do Ó e descendente de um bandeirante, viaja com a família para visitar um estaleiro que comprou na Inglaterra. A viagem tem um desvio de rota para uma breve visita à Patagônia. É justamente aí que o navio se choca com um iceberg e naufraga. Devido à baixa temperatura da água, 13 dos passageiros são congelados.

Um imenso bloco de gelo se aproxima da praia de Santos, em São Paulo, 132 anos depois. Samuca (Nicolas Prattes), empresário engajado, é o primeiro a ver o monumento. Dom Sabino, assim como outros congelados, são levados para uma empresa que estuda baixas temperaturas. Aos poucos, cada um dos congelados despertará à sua maneira e terá que enfrentar a realidade contemporânea e as particularidades das relações humanas no século 21.

CONTRASTES

Como a abolição da escravatura só aconteceu dois anos após o naufrágio, Dom Sabino se surpreende quando vê um negro puxando uma carroça feito cavalo e diz que isso é algo que os escravos dele não faziam de forma alguma, e ironiza: "Que bela abolição é essa". "O ponto de vista do Mario é muito inteligente", elogia o ator.

Nesse caminho de descobertas ("girar a chave e ligar o carro, não ter que dar feno para o cavalo para levar a sua carruagem", lembra o ator), nem tudo serão flores.

"Claro que ele sera vítima de algumas situações. Mas ele é tão integro que as situações vão se moldando de uma forma muito equilibrada, para que ele possa absorver e servir de um bom exemplo para os dias de hoje", explica o intérprete.

VOCABULÁRIO

Para Celulari, o vocabulário da época tem sido um capítulo à parte. "Tem cada termo. Eu nunca peguei tanto em dicionário (risos) na minha vida como nessa novela. Por exemplo: 'gelosia de uma janela'. 'Gelosia' é fresta. Porque se você fala gelosia como se fosse uma coisa estranha para você, o público também não vai encaixar com naturalidade. Tem que falar já entendendo que é uma fresta", ensina.

Além disso, outra dificuldade encontrada é a falta de espaço para improvisar. "É muito difícil. Ele só fala 'para'. Não fala 'pra'. No meio de tantas cenas gravadas, chegam e me falam: 'Edson, você falou 'pra'. Eu não acredito e falo: 'Me mostra'. Às vezes, duvido (risos) porque estou me policiando", entrega, com bom humor. "O mais difícil é eu não levar o Sabino para a minha vida. Vou virar um senhor do século 19. Tudo bem que sou um senhor, mas do século 19 não sou (risos). Sou do século 21", diverte-se.

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Leonardo Nogueira dirige Edson Celulari (Dom Sabino) e Kiko Mascarenhas (Teófilo) João Miguel Júnior/TV Globo
Edson Celulari (E) e Kiko Mascarenhas com o diretor Leonardo Nogueira. Abaixo: Agustina (Rosi Campos), Marocas (Juliana Paiva), Sabino (Celulari), Kiki (Natalia Rodrigues) e Nico (Raphaela Alvitos) fotos João Miguel Júnior/TV Globo
Dom Sabino (Edson Celulari) João Miguel Júnior/TV Globo

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