Jorge Fernando dispara: 'Nos anos 90, eu era o rei'

Recuperado de um AVC, diretor de TV volta ao trabalho, dirigindo 'Verão 90', próxima novela das sete. "Vamos agradecer enquanto temos saúde", celebra

Por Gabriel Sobreira

Jorge Fernando, diretor artístico de 'Verão 90', 
nos bastidores da novela; e comandando cena com Rafael Vitti (João, no alto) e Claudia Raia (Lidiane, à dir.)
Jorge Fernando, diretor artístico de 'Verão 90', nos bastidores da novela; e comandando cena com Rafael Vitti (João, no alto) e Claudia Raia (Lidiane, à dir.) -

Rio - Em janeiro de 2017, o diretor Jorge Fernando, hoje com 63 anos, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), que comprometeu o lado esquerdo do corpo, deixando sequelas no sistema motor e na fala. Ele precisou se afastar do trabalho para cuidar da saúde. "Vamos aprender a agradecer enquanto temos saúde. É a minha meta do momento", diz, recuperado, o diretor artístico de 'Verão 90', próxima novela das 19h, que estreia em janeiro, na Globo.

"A gente é besta para caramba, muito nariz em pé. E quando a gente perde a dignidade, que é alguém ter que te dar banho, ter que te limpar, dá uma sensação de que a gente perde muito tempo com nhenhenhém, críticas, ainda mais nesse universo de notícia. Fica sempre a coisa ruim sendo mais interessante que a coisa boa. Acho que a coisa boa, essa minha volta depois de dois anos, é ter o prazer de conhecer a Izabel de Oliveira e a Paula Amaral (autoras de 'Verão 90')", derrete-se.

RETORNO

Jorge Fernando conta que a volta ao trabalho o faz lembrar da mesma animação que sentia no começo da carreira. "Nos anos 1990, eu era o 'rei', vai me desculpar", provoca, aos risos, sem falsa modéstia. Ele recorda ainda que, quando tinha encontros com a imprensa, sempre ficava nervoso. Sentimento que nos últimos anos ficou restrito ao passado.

"Já provei o que tinha que provar. Eu quero é homenagear esses anos 90 com a minha vida, minha volta ao trabalho, com o prazer de botar o Marcelo Zambelli de diretor-geral. Sempre fui o Jorge e o Fernando. O Guel (Arraes, diretor) dizia que trabalhava com uma dupla. Eu sou metido, sou ariano, sou teimoso, tenho olho lindo", diz, com bom humor.

Como o folhetim é ambientado entre 1984 e 1993, Jorge Fernando conta que, apesar de ser uma novela de época, não vai fazer um "jogo dos sete erros". "'Ah, esse garfo não existia', 'isso não se fazia nos anos 80'. Saí dessa 'doença' do que pode aparecer. 'Pode aparecer poste? Pode'. Vou ter que apagar poste em cada take?", questiona o diretor.

APARIÇÕES

Com o objetivo de homenagear os artistas que fizeram sucesso na época, a direção aposta em uma novidade. "A música me fez criar uns clipes em que aparece o cantor. O tema da Janaína (Dira Paes) é 'As Canções Que Você Fez Para Mim' (Maria Bethânia). Estou no estúdio com a personagem chorando, beijando ou namorando, corto para a externa tem a Bethânia cantando (entre imagens da cidade). Só dois takes. Mas você vê a Bethânia por um segundo", adianta Jorge Fernando, que fará o mesmo com nomes como Sandra de Sá, Djavan, Skank, Tim Maia, Fernanda Abreu, Lobão, Lulu Santos e Ultraje a Rigor, entre tantos outros nomes dos anos 90.

"A gente conseguiu reunir a nata. O tema da Lidiane (Claudia Raia, uma ex-atriz de pornochanchada, é 'O Amor e o Poder', com Rosana). Ela tem outro tema, que é a 'Freak Le Boom Boom' (Gretchen)", gaba-se. Quando o assunto é a trilha internacional, o diretor explica que achava que era mais fácil conseguir autorização. "'Ah, eu tenho Michael Jackson: 50 mil dólares', 'Eu tenho 15 minutos de Madonna: 95 mil dólares'. Tô apelando para o Jesus Luz (ator e ex-namorado de Madonna) para interceder. Eu já pedi para Izabel (de Oliveira, uma das autoras da novela) para dar uma participação para ele, para ver se consigo tocar 'Vogue' bem rápido", brinca.

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