Rio - Considerado o camaleão do rock, pelas diversas personas que assumiu durante a carreira, David Bowie morreu no domingo — dois dias depois de seu aniversário de 69 anos e, igualmente, do lançamento de seu 25º disco ‘Blackstar’. O cantor britânico lutava há 18 meses contra um câncer. A morte de Bowie foi anunciada por seu agente, Steve Martin. “David Bowie morreu em paz hoje cercado por sua família após corajosa batalha de 18 meses contra um câncer. Pedimos que respeitem a privacidade da família”, diz um comunicado postado no Facebook.
Nascido no bairro londrino de Brixton, David Robert Jones envolveu-se com música ainda na escola (por intermédio das art schools, comuns no ensino britânico da época) e foi inicialmente influenciado por nomes do time inicial do rock, como Little Richard e Elvis Presley. Antes de cantar, estudou arte e trabalhou com publicidade. Em 1962, ao brigar com um colega de escola chamado George Underwood por uma garota, foi atingido por um soco no olho esquerdo, que passou a ficar com a pupila eternamente dilatada. O nome “David Bowie” surgiria apenas no fim da década, para evitar confusões com Davy Jones, do grupo sessentista Monkees.
Após vários anos tentando (teve bandas como The King Bees e Lower Third, que chegaram a fazer algum barulho), Bowie faz sucesso em 1969 com ‘Space Oddity’, música que falava sobre um astronauta que se perdia no espaço, e que lançava o personagem Major Tom — que reapareceria anos depois, em 1980, em outro hit, ‘Ashes to Ashes’. Caía dentro do pré-heavy metal e do pré-punk no disco seguinte, ‘The Man Who Sold The World’ (1970), abria alas para o glam rock em ‘Hunky Dory’ (1971, do sucesso ‘Life On Mars?’) e conquistava o sucesso definitivamente com ‘The Rise And Fall Of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars’ (1972), que o mostrava interpretando um ídolo descartável do rock e trazia sucessos como ‘Starman’ e ‘Ziggy Stardust’. Na mesma época, afirmou ser bissexual numa entrevista.
Ao ouvirem o novo disco, ‘Blackstar’, vários fãs apressaram-se em dizer que David Bowie fazia referências ao câncer e à proximidade da morte em letras como a do single ‘Lazarus’ (“olhe aqui, estou no céu/tenho feridas que não podem ser vistas”). Dois personagens ligados a Bowie tentaram dar um pouco de sentido às dúvidas de todos sobre o assunto. Tony Visconti, que produziu vários álbuns de Bowie e cuidara dos dois últimos, ‘The Next Day’ (2013) e o próprio ‘Blackstar’, escreveu no Facebook que “sua morte, assim como a vida, foi uma obra de arte. Ele fez ‘Blackstar’ para nós, é seu presente de despedida. Soube há um ano que seria assim, mas não estava preparado para isso”. Brian Eno, ex-produtor de Bowie e seu amigo há quatro décadas, costumava trocar e-mails com ele em que os dois assinavam com pseudônimos. “Há sete dias recebi um e-mail seu. Era divertido como sempre (...) e terminava com a mensagem: ‘Obrigado por nossos bons tempos, Brian. Nunca irão apodrecer’. E era assinado como ‘Dawn’ (amanhecer). Hoje vejo que ele estava dizendo adeus”.
