À esquerda, Moreno Veloso atualmente. À direita, foto de 1993Reprodução

Rio - O músico Moreno Veloso, filho de Caetano Veloso, relembrou quando foi confundido com um terrorista pelo FBI, serviço federal de investigação dos Estados Unidos, em um voo para Nova Iorque, onde fazia faculdade. A história, que aconteceu em 1993, foi contada durante participação do artista no programa "Que História é Essa, Porchat?".
"Não tinha internet ou celular. Não para a gente. Era só no Pentágono. Eu ouvi o piloto falando algo que não entendi e começou um burburinho. Em vez de pousarmos em Nova Iorque, descemos em Washington. Quando fui pegar minha mala, uma moça do FBI me pediu para segui-la. Quando cheguei em uma sala, entraram dois caras enormes, que me tiraram do chão sem fazer força", comentou o artista baiano, que não falava inglês direito.
Ele disse que os agentes fizeram perguntas diretas, com conhecimento prévio sobre o brasileiro: "A primeira pergunta era: 'qual o nome do seu orientador na faculdade de Física?' Eu estava fazendo Física na época. Mas me perguntei: 'como ele sabia?' Fiquei mais nervoso que já estava. Não existia Google. Eu disse que não estava entendendo. 'Por que você estudou russo na faculdade de física?', ele perguntou".
Caetano Veloso e o filho Moreno Veloso juntos - Reprodução / Redes Sociais
Caetano Veloso e o filho Moreno Veloso juntosReprodução / Redes Sociais
O músico, então estudante de física na Universidade Federal do Rio de Janeiro, explicou por quê estudou russo: "Era obrigatório estudar língua estrangeira. Inglês estava com a turma lotada, espanhol muito mais. Até grego estava lotado. Só sobrou russo". Ele revelou que os americanos pediram-no para tirar a roupa.
Em seguida, mandaram ele fazer o juramento do físico: "A gente jura que não vai usar os conhecimentos para destruir o mundo, que usaremos com responsabilidade. Eu tive que jurar em inglês. O juramento deles tinha um a mais. 'Não vou destruir o mundo e os Estados Unidos'. Os EUA são mais importantes que o mundo, na visão deles. Depois disso, eles me devolveram a roupa, eu vesti e saí. Do lado de fora, eles estavam abrindo tudo que estava na minha mala e mochila". 
Mais tarde, Moreno se deu conta do que realmente aconteceu: "Peguei tudo depois, me levaram para o aeroporto. Fui para Nova Iorque, tinha comissários de voo que eram brasileiros e eles me explicaram que iranianos ameaçaram explodir o aeroporto. 'Houve uma ameaça real de terrorismo. E você era o cara', me disseram".