Caio Paduan voltou à Record para integrar projeto bíblico Divulgação
Caio Paduan expõe desafios para viver personagem em 'Paulo, o Apóstolo' e fala sobre fé
Ator de 38 anos avalia retorno para Record e celebra sucesso no teatro
Rio - Com 38 anos e diversos papéis de destaque na TV, Caio Paduan embarca em novo desafio profissional na série "Paulo, o Apóstolo" da Record. O ator interpreta Jonatas na produção de 50 capítulos exibida de segunda a sexta-feira, às 21h. A trama mistura drama e fé, e narra a jornada de Saulo de Tarso desde a perseguição aos cristãos até a conversão ao Cristianismo.
"Jonatas manipula a fé como instrumento de poder, representando uma elite que distorce valores em benefício próprio. O desafio tem sido encontrar equilíbrio entre a frieza e a humanidade que existe por trás. Meu trabalho está muito centrado na construção física, a postura, o olhar, a forma como ele ocupa o espaço, porque é no corpo que eu encontro a essência do personagem. É um mergulho intenso e técnico, mas feito com muito respeito e entrega", conta o artista.
Caio volta à emissora depois de participar da novela "Reis" (2022), que abordou a transição da forma de governo de Israel, anteriormente comandado por juízes para a monarquia. "Gosto de trabalhar com equipes que respeitam a técnica e a dedicação de cada um, e sinto que aqui há exatamente esse ambiente. Nunca fui tão respeitado artisticamente como neste projeto. Sinto uma confiança imensa da direção, dos meus colegas de cena e, principalmente, da equipe técnica".
O ator explica como sua crença religiosa foi impactada no primeiro trabalho em novelas bíblicas. "Cresci em um lar espiritualizado, sou cristão por essência e me identifico como espiritualista. Acredito no amor, na compaixão e na força que conecta todos os caminhos espirituais, e isso guia tanto minha vida quanto meu trabalho. Interpretar figuras como Abinadabe e agora Jonatas me provoca reflexões profundas, especialmente sobre o uso da fé e a crueldade de tal ato", reflete.
Interpretar um personagem bíblico exigiu do artista uma imersão no contexto histórico e espiritual da época e da vida do apóstolo que escreveu a maioria dos livros do Novo Testamento. "Não é só estudar o texto, é sentir a fisicalidade dele e entender como essa presença impacta os outros personagens. Ao mesmo tempo, o peso da história que estamos contando exige uma conexão emocional genuína para com o projeto. É um trabalho que envolve técnica, pesquisa histórica e uma escuta profunda do que essa narrativa significa para o Ocidente como um todo e para o público brasileiro", destaca.
Para dar vida a Jonatas, o artista consultou escritos sobre religião e da época em que se passa a trama da Record. O personagem é um saduceu, membro de um grupo de judeus, e faz parte da elite econômica e religiosa de Jerusalém. "Pesquisei textos bíblicos, filosofia e até psicologia social para entender a mentalidade daquele período. Tivemos uma preparação artística focada e com trabalho muito próximo do preparador Leandro, que afinou detalhes da postura, voz e de como jogar em cena. É um processo de estudo que vai além do texto, é sobre entender como aqueles personagens existiam e se expressavam naquele tempo."
Teatro e Cinema
Caio Paduan iniciou a trajetória artística ainda na escola, quando teve a oportunidade de participar de diversas montagens teatrais aos 16 anos. Desde então, nunca abandonou sua paixão pelos palcos, mesmo emendando projetos na TV.
"O teatro é o meu ponto de partida e o meu mergulho mais profundo como artista. É no palco que eu me reconecto com a essência do ofício, com o trabalho cru do ator. Gosto do risco, do ao vivo, da egrégora que se estabelece junto ao público. Ali eu jogo, arrisco, erro, crio e me reinvento. Foi o teatro que me levou a querer dirigir e pensar projetos autorais", entrega.
No ano passado, o artista esteve em cartaz no espetáculo "Palhaços" e o sucesso da produção lhe rendeu o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator Coadjuvante. O anúncio da conquista aconteceu enquanto ele estava nos bastidores pronto para anunciar outra categoria.
"Foi um trabalho de entrega, de corpo e alma, com uma equipe incrível. O prêmio é uma consequência de um processo coletivo muito bem construído. Dividir cena com nomes como Zé Rubens Chachá e estar sob a direção do Léo Stefanini foi uma escola. É um marco na minha trajetória", comemora.
Em 2023, Caio Paduan deu um passo importante em sua carreira ao se tornar diretor criativo do musical "Iron – O Homem da Máscara de Ferro". "Depois de anos atuando, senti a necessidade de olhar o todo. A direção criativa me permite contar histórias de um jeito mais amplo, sem deixar de lado a minha essência como ator-criador. Eu continuo construindo personagens, mas também posso ser o cara que cria e costura a narrativa como um todo."
No longa-metragem "Silencioso", o ator se aventura por um gênero pouco explorado no cinema nacional: o terror. "Foi desafiador porque, nesse tipo de filme, o corpo e a reação são ainda mais importantes para criar a tensão certa. Inclusive, fiz o teste em vídeo pouco antes de uma cirurgia no pé e no joelho, estava com a cabeça em mil lugares, mas a história me pegou de um jeito que não tinha como não topar", diz.
Embora os detalhes sobre o projeto sejam mantidos em segredo, Caio Paduan adianta algumas pistas sobre o filme. "Posso dizer que é um thriller que vai surpreender. O Victor Soares, diretor do longa, tem um olhar muito autoral e trouxe uma estética que mistura suspense, beleza e uma carga emocional forte. Foi uma experiência intensa e gratificante, que me fez explorar novas camadas como ator."


