Rio - Atriz, diretora de novela e de teatro, Cininha de Paula acaba de lançar, ao lado de Charles Daves, o livro "Caminhos do Ator – Do Palco à Câmera", uma obra que funciona como um mergulho guiado no vasto e vibrante universo da atuação. A publicação reúne as trajetórias consagradas dos dois em um encontro que busca inspirar iniciantes e reacender a chama de quem se afastou da carreira artística ao longo do caminho.
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A ideia do livro nasceu de um curso online com mentorias gravadas. Cininha percebia que a troca direta com os alunos fazia a diferença — e foi dessa vontade de proximidade que o projeto literário tomou forma.
"Meu livro é um guia para o jovem ator e para aquele ator que largou (a carreira) no meio porque teve alguns momentos na vida que achou que não ia dar certo, que tinha que ter um plano B, o plano B ficou mais forte e acabou enveredando por outros caminhos. Se quiser retomar, se quiser pelo menos se divertir, ali tem o caminho das pedras, porque o caminho do ator é o caminho das pedras. Não é nada fácil, principalmente, num país como o nosso, onde a arte é secundária, apesar de ser uma luz na educação e na formação de qualquer ser humano", diz.
Segundo a diretora, o livro não é uma biografia, e sim o resultado da experiência de uma vida trabalhando com a arte. "O que eu falo é sobre o meu conhecimento na trajetória do ator, do ator do teatro, da televisão, do cinema, da internet, até sobre influencers falo um pouco. E dou algumas referências de como você pode encaminhar melhor a sua carreira. Não é o pulo do gato, mas é algum pulo, pelo menos de uma pedra para outra você não cai no meio do riacho", analisa.
"Não descobri a pólvora, não sou dona da verdade, mas eu acredito que ali tem um bom manual de como você começar a sua carreira de ator e como você se reciclar como ator também", completa.
Herança artística e escolhas pessoais
Filha da atriz Lupe Gigiotti e sobrinha do saudoso humorista Chico Anysio e do cineasta Zelito Viana, Cininha começou a carreira cedo, atuando, mas seu foco sempre foi direção, o que não demorou pra acontecer, pois seu talento nato para tal função, logo foi explorado.
"É claro que eu tenho o privilégio de ser dessa família muito talentosa e inteligente, mas isso não quer dizer que eu obrigatoriamente apresentaria esse talento, porque tenho duas irmãs, que são duas grandes médicas, uma trabalha na Suécia e a outra é uma psiquiatra, e somos da mesma linhagem, digamos assim, de filhas da minha mãe, e cada uma com sua respectiva característica. É claro que o fato de eu ter essa família cercada de gente muito incrível, serviu como exemplo de observação e de conseguir captar o que eles tinham de melhor para oferecer na arte. E isso foi muito importante para mim", conta.
Na carreira, ela coleciona prêmios em teatro como atriz e diretora, entre eles estão: APCA, Apetesp, Mambembe e diversos outros de destaque do ano como melhores programas de TV como: "Sítio do Pica-Pau", "Gente Inocente" e medalha de Bronze no Festival de Cine e TV de NYC, com melhor infantil da TV de 1991. Nas telinhas, Cininha dirigiu dezenas de novelas, seriados, programas de variedades, humor e musicais, como "Sai de Baixo", "Toma Lá, Dá Cá", "Pé na Cova" e "Escolinha do Professor Raimundo" (nova geração).
Na TV Globo, foram 32 anos de carreira e ela garante que não se impactou ao deixar a emissora em 2020. "Acho que eu já esperava, porque a gente chega numa determinada idade que a gente sabe que tem que dar espaço para quem é mais novo, e o novo tem que vir para que haja renovação, senão também tudo sempre fica na mesmice. Não sofri impacto, eu dei muita sorte, porque eu saí da TV no final de 2019, voltei em 2020 na pandemia, saí no final de 2020 e de 2021 fui à Disney e fiquei na Disney até início de 2024. Não posso reclamar, acho que dei bastante sorte, eu fui feliz", analisa.
Mãe da atriz e diretora Maria Maya e de Enrico, expert em efeito visual, Cininha conta como é a troca entre ela e os filhos. "Nós três estamos na mesma área, ele mais só no audiovisual, ela no audiovisual e no teatro. A minha filha me ensina muito. Atualmente ela me ensina mais do que eu a ela. Ela é essa pessoa destemida, que luta por aquilo que gosta, estudiosa, preparada, inteligente, culta, acho que isso foi o que eu pude dar. Bons colégios, dentro das minhas possibilidades, e boa universidade do governo. A mesma coisa o meu filho", comenta.
"Eles também me desafiam, isso faz com que eu evolua, não pare porque a única coisa errada que pode acontecer quando a pessoa fica um pouco mais velha, é ela achar que é a rainha da cocada preta e não precisa aprender mais nada. O dia que eu achar isso é porque já está na hora de eu parar, está na hora de eu ficar em casa fazendo outro tipo de coisa", acrescenta.
Ela também se derrete ao falar da relação com as netas. "É uma coisa que não consigo nem falar porque me emociona. Neto é uma segunda geração sua e você descobre ali tanta coisa da sua criança. Elas são o meu divertimento, o meu entretenimento, o meu momento de lazer, o meu momento de dividir pensamentos, coisas. Minha neta mais velha já está com 11 anos e ela conversa muito, me conta histórias, mostra os seus anseios, suas dificuldades, seus medos, e a gente debate sobre isso. E a pequenininha é uma coisa divertida, gostosa. Ser avó, sinceramente, é melhor do que ser mãe, juro. Porque quando a gente é mãe, a gente aprende junto com o filho. Quando você é avó, você já tem alguma coisa para ensinar".
Novos projetos
Cininha não para. Recentemente ela dirigiu o espetáculo "Romeu e Julieta", um musical com canções dos Beatles, feito com seus alunos e conta que agora está se arriscando na novela vertical. "Não posso falar muito, mas só dizer que estou me arriscando e tenho um projeto de cinema, um filme com uma produtora chamada Pulsante Filmes de São Paulo, que se chama 'Polêmico'", conta.
Além disso, ela dirigirá o documentário "100 anos de Mangueira" e foi convidada por Miguel Falabella para dirigir um projeto de "Toma lá dá Cá". "Tem outros projetos por aí que acho melhor não falar, porque ainda estão muito embrionários, então não vale à pena. Mas continuo investindo naquilo que gosto, fazendo aquilo que gosto da melhor forma possível", conclui.