Redes sociais e vida "acelerada" contribuem para o aumento de transtornosReprodução/internet
A psicóloga Monica Machado, que entende muito do assunto, explica que esse turbilhão que sentimos vem não só do caos do mundo lá fora, mas também dos nossos próprios hábitos — aqueles que a gente nem percebe que tem, mas que consomem nossa energia todo santo dia.
Monica fala com muita clareza que o primeiro passo é esse: enxergar o que está nos fazendo mal. E, mais do que isso, se abrir para a mudança. Um exemplo que ela traz — e que eu aposto que você vai se identificar — é aquele hábito de ficar enrolando pra levantar da cama. A gente aperta o soneca uma, duas, três vezes, como se dissesse pra vida: “quem manda aqui sou eu”. Mas, no fundo, isso vira uma forma de começar o dia já protelando tudo, empurrando as tarefas e entrando em modo automático.
Outro ponto que ela traz, e que é super delicado, é essa mania de lotar a nossa agenda de compromissos e tarefas, mas nunca reservar um tempo pra gente. A gente faz mil coisas, ajuda todo mundo, cuida da casa, do trabalho, dos outros... mas e da gente? Se esse espaço não existe, o resultado é aquele vazio no fim do dia, mesmo depois de ter feito um monte de coisa.
E quem nunca se viu presa em pensamentos negativos, né? Quando a gente tá com o olhar focado no que não tá dando certo, parece que o mundo inteiro entra nessa frequência. É como se o nosso cérebro procurasse confirmação de que tá tudo ruim. Mas, segundo Monica, isso pode ser treinado. A gente consegue, sim, mudar esse olhar.
E por fim, vem uma das armadilhas mais cruéis dos tempos modernos: a comparação. As redes sociais escancaram a vida dos outros e fazem a gente achar que tá sempre atrás. Que o outro é mais bonito, mais bem-sucedido, mais interessante. E aí vem o impulso de copiar, de tentar ser igual, vestir o que o outro veste, falar do jeito que o outro fala. Monica é categórica: isso é um dos hábitos mais destrutivos que a gente pode ter. Porque, ao tentar ser outra pessoa, você apaga o que tem de mais valioso: a sua autenticidade.
No fim das contas, esse papo é sobre autocuidado, mas não aquele autocuidado só de skincare e banho relaxante (embora isso também seja maravilhoso). É sobre se olhar com mais carinho, prestar atenção no que te esgota, no que te faz mal — e se permitir mudar. Porque a vida é corrida, sim. Mas ela pode ser mais leve quando a gente começa a fazer escolhas mais conscientes e amorosas com a gente mesma.
E olha... tudo isso é um processo, viu? Não precisa mudar tudo de uma vez. Mas reconhecer já é um passo enorme.

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