José Carlos com seus filhos: José Ricardo e Carlos EduardoReprodução

Hoje eu quero homenagear um homem que, para mim, é um exemplo vivo de amor, coragem e entrega. Seu nome é José Carlos. Ele tem 57 anos e carrega em sua história marcas profundas de luta, superação e, acima de tudo, um amor incondicional pelos filhos.
José nasceu em Maceió, Alagoas, e ainda pequeno, com apenas dois anos, veio para o Rio de Janeiro, onde construiu a maior parte da sua vida. Foram 54 anos vividos ali, entre desafios e conquistas. Recentemente, mudou-se para São José dos Campos – uma mudança que não foi motivada por conforto ou conveniência, mas por amor: para garantir o melhor tratamento possível aos seus filhos gêmeos, José Ricardo e Carlos Eduardo, de 15 anos.
Os dois meninos são autistas – Ricardo com nível 3 e Eduardo com nível 2 – e também enfrentam o desafio da esquizofrenia.
Eles dependem totalmente do pai para tudo. Em meio às crises, aos surtos e às demandas diárias, José se entrega de corpo e alma. Ele vive por eles, para eles.
Mas a luta de José não se resume aos cuidados dentro de casa. Lá fora, seus filhos enfrentam barreiras ainda mais duras: o preconceito, a exclusão e a falta de compreensão. A sociedade, muitas vezes, ainda não está preparada para acolher pessoas neurodivergentes. Olhares atravessados em locais públicos, julgamentos, ausência de políticas públicas eficazes, dificuldade de acesso a terapias especializadas, escolas despreparadas, e até mesmo profissionais da saúde que não sabem como lidar com quadros mais complexos — tudo isso faz parte da realidade diária dessa família.
E é com o coração apertado, mas com a alma em pé, que José Carlos enfrenta tudo isso. Ele não permite que os rótulos definam quem seus filhos são, e luta para que eles sejam tratados com dignidade, respeito e humanidade.
Enquanto muitos desistem, se afastam ou entregam seus filhos para outros cuidarem, José permanece firme. Ele nunca pensou em abandonar. Pelo contrário, encara essa missão com fé. Ele diz, com o coração cheio de certeza, que “se Deus lhe deu esses filhos, também lhe dá forças para criá-los. E mesmo que o fardo seja pesado, irá carregar com dignidade, com um amor que transborda”.
A infância de José também foi marcada por desafios. Ele cresceu sem pai, tendo como referências sua mãe e sua tia – ambas surdas e mudas. Sua mãe já não está mais aqui, mas a tia, hoje com 93 anos, continua sob os cuidados dele. Mais uma prova de seu caráter e senso de responsabilidade.
A mãe dos seus filhos mora no Rio de Janeiro e, infelizmente, não tem condições emocionais e psicológicas de participar ativamente da vida dos meninos. José, no entanto, nunca permitiu que isso se tornasse uma barreira para que seus filhos fossem amados, acolhidos e cuidados com toda a dedicação que merecem.
Felizmente, ele conta com o apoio e a parceria de Neuma Maria, sua esposa, que está ao seu lado e também se dedica ao cuidado dos meninos com carinho e força.
José Carlos é, sem dúvida, um exemplo raro e precioso. Um pai que escolheu ficar, que escolheu amar, que enfrenta todos os dias com coragem e que mostra, com seus gestos silenciosos e constantes, o que significa ser realmente um pai.
Essa homenagem é para você, José. Que o mundo saiba da sua grandeza. Que o seu exemplo inspire mais empatia, mais respeito e, acima de tudo, mais humanidade.