Haddad aposta que cenário externo permitirá maior controle da inflação em 2025Antonio Cruz/Agência Brasil
Para ele, há espaço para surpresas positivas no front inflacionário porque, na visão dele, a taxa de câmbio, a taxa de juro e geopolítica poderão de comportar de forma que venham a melhorar da inflação. Ou seja, a reduzir os impulsos inflacionários. No ano passado, além dos impactos decorrentes do clima sobre as safras agrícolas no Brasil e no mundo, houve também a comunicação errática do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) que acabou contribuindo para a desorganização das economias pelo mundo e, também, do Brasil.
O Fed, de acordo com Haddad, fez algumas comunicações indicando passos que tomaria e que depois não foram feitos.
Para esse ano, segundo espera o ministro, estas mesmas coisas não deverão se repetir. A safra agrícola promete ser mais uma vez recorde, o desenho que está sendo delineado na geopolítica, de acordo com ele, pode abrir novas janelas de oportunidades para as exportações brasileiras com consequências para a valorização do real frente ao dólar, reduzindo assim os impulsos inflacionários.
Perguntado sobre o que espera em relação à condução da política monetária daqui para frente - é bom lembrar que desde dezembro o Banco Central aumentou em 3 pontos a taxa de juros e que essa alta foi encomendada na gestão de Roberto Campos Neto -, o ministro evitou fazer um comentário direto sobre o tema, mas reiterou que este ano haverá margem de manobra maior que em 2024.
Sempre insistindo em bater na tecla de que este governo tem compromisso com perseguir a meta de fiscal estabelecida no arcabouço, Haddad disse que se o governo não mirasse a meta, poderia ter gasto no ano passado algo como R$ 16 bilhões a mais do que gastou. Foi nesse ponto da sua fala que o ministro aproveitou para dar a uma espetada na imprensa, ao dizer que reportagens que tratam do fiscal insistem em chamar o governo de gastador.
Mas ele admitiu que além de mirar os gastos tributários, se o governo não corrigir os gastos públicos, ou suas despesas, ele não conseguirá equilibrar as contas públicas. "Se não trabalharmos gastos tributários e públicos, não vamos equilibrar contas públicas", disse Haddad.
Mas para voltar a dar equilíbrio às contas públicas, de acordo com o ministro da Fazenda, é preciso um esforço conjunto dos três poderes da República, leia-se Executivo, Legislativo e Judiciário.
Ao falar especificamente do Judiciário, Haddad mencionou as muitas vitórias que o Executivo Federal vem obtendo junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos tempos. E de acordo com ele, estas vitórias são resultados de uma mudança de postura do governo e não tribunal.
"O STF continua sendo o mesmo. Mudou dois ministros", disse Haddad, emendando que o que mudou foi a comunicação, a forma do governo explicar para os ministros da Suprema Corte a importância que cada projeto a ele levado tem para a população.
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