Fernando Haddad, ministro da FazendaFábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira, 10, que o tema fiscal monopoliza o noticiário, mas geralmente com desinformação. 

"O tema fiscal acaba monopolizando o noticiário. E, apesar de monopolizar o noticiário, em geral, com desinformação. Então, é uma situação curiosa, porque o tema mais discutido nos últimos três anos, em geral, é de baixa qualidade técnica o nível da discussão", afirmou o ministro.

Questionado sobre um balanço de sua atuação até aqui no ministério, Haddad elogiou a reforma tributária, dizendo que o Brasil terá um dos melhores sistemas tributários do mundo depois da reforma. Ele participa da CEO Conference Brasil 2026, organizada pelo BTG Pactual, em São Paulo.
Déficit primário
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que parte do déficit primário do governo já estava contratada pela administração anterior. Ele declarou entender o clamor da Faria Lima, mas disse ser um só para lidar com as pressões do cargo.

"Gostaria de ter ido além. Agora, você tem que negociar com o Congresso, que tinha acabado de aprovar o aumento de despesas. O Fundeb foi contratado até este ano, a escadinha de capitalização do Fundeb, as regras de flexibilização de elegibilidade do BPC foram contratadas em 2021, então, como é que você equaciona tudo isso com o clamor, que eu entendo da Faria Lima, mas assim, como dizem os baianos, eu só sou um só", afirmou.

Haddad disse que o cargo é "um pouco desafiador", mas que não é o pior emprego do mundo.

"O pessoal fala que é o pior emprego do mundo e eu falo, eu recomendo para todo mundo se conseguir ser ministro da Fazenda, tentar, porque é muito interessante você conhecer o Brasil a partir daquela cadeira", completou.
Eleições
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que está gostando da posição em que está atualmente em relação a uma possível candidatura, com as pessoas o elogiando e dizendo que ele deveria ser candidato. 

"Nós estamos com muita tranquilidade conversando sobre São Paulo e sobre outros locais, ele pede minha opinião sobre as coisas, eu dou, e ele me ouve, e nós vamos caminhar", disse, referindo-se a conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Haddad, a transferência de votos de Jair Bolsonaro (PL), que está preso, é quase automática para quem quer que seja o escolhido como substituto. Ele não respondeu, entretanto, se consideraria um pleito mais fácil contra Flávio Bolsonaro.

"É uma transferência praticamente automática em relação a quem ele escolher...para o eleitor do Bolsonaro, aparentemente, tanto faz quem vai representar o Bolsonaro", afirmou.

Perguntando sobre as aspirações políticas para uma possível sucessão de Lula em 2030, Haddad desconversou, dizendo que é melhor deixar a vida conduzir, que há muito trabalho pela frente, mas que o que foi feito nos últimos 3 anos não pode ser desprezado.

"Faz bem feito aquilo que você foi convidado para fazer. É isso que é a garantia de uma trajetória. Se você ficar sentado numa cadeira pensando em outra, a chance de você errar já é grande pensando no que você está fazendo", completou, dizendo que sempre tentou fazer o melhor possível em todos os cargos que ocupou.