Fernando Haddad, ministro da FazendaFábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
"O tema fiscal acaba monopolizando o noticiário. E, apesar de monopolizar o noticiário, em geral, com desinformação. Então, é uma situação curiosa, porque o tema mais discutido nos últimos três anos, em geral, é de baixa qualidade técnica o nível da discussão", afirmou o ministro.
Questionado sobre um balanço de sua atuação até aqui no ministério, Haddad elogiou a reforma tributária, dizendo que o Brasil terá um dos melhores sistemas tributários do mundo depois da reforma. Ele participa da CEO Conference Brasil 2026, organizada pelo BTG Pactual, em São Paulo.
"Gostaria de ter ido além. Agora, você tem que negociar com o Congresso, que tinha acabado de aprovar o aumento de despesas. O Fundeb foi contratado até este ano, a escadinha de capitalização do Fundeb, as regras de flexibilização de elegibilidade do BPC foram contratadas em 2021, então, como é que você equaciona tudo isso com o clamor, que eu entendo da Faria Lima, mas assim, como dizem os baianos, eu só sou um só", afirmou.
Haddad disse que o cargo é "um pouco desafiador", mas que não é o pior emprego do mundo.
"O pessoal fala que é o pior emprego do mundo e eu falo, eu recomendo para todo mundo se conseguir ser ministro da Fazenda, tentar, porque é muito interessante você conhecer o Brasil a partir daquela cadeira", completou.
"Nós estamos com muita tranquilidade conversando sobre São Paulo e sobre outros locais, ele pede minha opinião sobre as coisas, eu dou, e ele me ouve, e nós vamos caminhar", disse, referindo-se a conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Haddad, a transferência de votos de Jair Bolsonaro (PL), que está preso, é quase automática para quem quer que seja o escolhido como substituto. Ele não respondeu, entretanto, se consideraria um pleito mais fácil contra Flávio Bolsonaro.
"É uma transferência praticamente automática em relação a quem ele escolher...para o eleitor do Bolsonaro, aparentemente, tanto faz quem vai representar o Bolsonaro", afirmou.
Perguntando sobre as aspirações políticas para uma possível sucessão de Lula em 2030, Haddad desconversou, dizendo que é melhor deixar a vida conduzir, que há muito trabalho pela frente, mas que o que foi feito nos últimos 3 anos não pode ser desprezado.
"Faz bem feito aquilo que você foi convidado para fazer. É isso que é a garantia de uma trajetória. Se você ficar sentado numa cadeira pensando em outra, a chance de você errar já é grande pensando no que você está fazendo", completou, dizendo que sempre tentou fazer o melhor possível em todos os cargos que ocupou.
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