Banco Central divulgou nesta quarta-feira os dados do relatório FocusMarcello Casal Jr/Agência Brasil

A mediana das previsões do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 permaneceu em 1,80%, pela 10ª semana consecutiva. Considerando apenas as 35 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa subiu de 1,79% para 1,90%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 18.

O Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,0% para 2,3%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre. Segundo a autarquia, a elevação refletiu a revisão nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que afetou, especialmente, o crescimento da agropecuária no primeiro semestre, e um resultado do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado.

A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 ficou estável em 1,80%, pela 7ª leitura consecutiva. Considerando só as 29 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa também seguiu em 1,80%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 101ª e 48ª semana seguida, respectivamente.
IPCA
Já a mediana das projeções do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 caiu de 3,97% para 3,95%. A taxa está 0,55 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 4,02%. Considerando apenas as 60 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,96% para 3,92%.

A projeção para o IPCA de 2027 ficou estável em 3,80%, pela 15ª semana consecutiva. Considerando apenas as 55 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,80% para 3,70%.

O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da última mediana do Focus, que previa que alta de 4,31%, e da estimativa do Banco Central para o período, de alta de 4,4%.

Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, atualmente localizado no terceiro trimestre de 2027.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

No Focus divulgado nesta quarta-feira, a projeção para o IPCA de 2028 ficou estável em 3,50%, pela 15ª semana seguida. Para 2029, a projeção também ficou em 3,50%, pela 24ª semana consecutiva.
IGP-M
A mediana das expectativas do mercado financeiro para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de 2026 caiu de 3,90% para 3,86%. Um mês antes, era de 3,92%.

A estimativa para o IGP-M de 2027 oscilou de 3,99% para 4,00%. Há um mês, era de 4,00%.

O indicador encerrou 2025 com uma queda de 1,05%, a menor taxa desde 2023, quando havia recuado 3,18%.

Os índices gerais de preços, da Fundação Getulio Vargas (FGV), medem um agregado da inflação para três grupos: produtores (atacado, com impacto do câmbio e da variação de commodities), com peso de aproximadamente 60%; consumidores, com 30%; e construção, 10%.
Déficit primário
Para o déficit primário do setor público consolidado em 2026, a mediana das projeções caíram de 0,52% do PIB para 0,50% do PIB. Há um mês, era de 0,53%. A meta fiscal deste ano é de um superávit primário de 0,25% do PIB nas contas do Governo Central, com tolerância de 0,25 ponto porcentual do PIB para mais ou para menos.

Para 2027, a mediana para o déficit aumentou de 0,40% do PIB para 0,41%. Há um mês, era de 0,30%. O alvo do próximo ano é um superávit de 0,50% do PIB, também com intervalo tolerância de 0,25 ponto porcentual.

As projeções de fiscal do Focus costumam a indicar déficits maiores do que a meta do governo por duas razões. Elas se referem ao setor público consolidado (Governo Central, estados, municípios e empresas estatais, exceto Petrobras e Eletrobras), enquanto o alvo vale apenas para o governo central. Além disso, vários gastos não são contabilizados na meta fiscal, como o pagamento de precatórios.

Nominal

A estimativa intermediária para o déficit nominal de 2026 permaneceu em 8,60% do PIB, pela 4ª leitura seguida. A mediana para o rombo nominal de 2027 permaneceu em 8,01% do PIB. Quatro semanas atrás, era de 7,80%.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. O resultado nominal reflete o saldo após o gasto com juros e outras despesas financeiras.

A mediana para a dívida líquida do setor público (DLSP) como proporção do PIB em 2026 permaneceu em 70,20% do PIB. Há um mês, era de 70,36%. A estimativa intermediária para 2027 permaneceu em 73,80%, pela 4ª semana seguida.

Setor externo

A mediana das previsões para o déficit em transações correntes do Brasil em 2026 passou de US$ 68,20 bilhões para US$ 67,80 bilhões. Um mês antes, era de US$ 67,90 bilhões. A projeção para o déficit de 2027 permaneceu em US$ 65,00 bilhões, pela 10ª semana seguida.

As expectativas do mercado sugerem que o déficit em conta corrente continuará sendo financiado pelos Investimentos Diretos no País (IDP). A mediana para entrada líquida em 2026 subiu de US$ 74,35 bilhões para US$ 75,00 bilhões. Há um mês, era de US$ 75,00 bilhões. A projeção para 2027 permaneceu em US$ 78,50 bilhões, pela 3ª leitura consecutiva. Há quatro semanas, era de US$ 78,60 bilhões.

A mediana de superávit comercial em 2026 subiu de US$ 67,50 bilhões para US$ 68,00 bilhões. Um mês antes, era de US$ 66,70 bilhões. A projeção para o superávit comercial de 2027 oscilou de US$ 72,15 bilhões para US$ 72,30 bilhões. Há quatro semanas, era de US$ 70,00 bilhões.

No Relatório de Política Monetária (RPM) do 4º trimestre de 2025, o Banco Central estimava um déficit de US$ 60 bilhões na conta corrente em 2026, com entrada de US$ 70 bilhões em IDP. Para o superávit comercial, a estimativa era US$ 64 bilhões neste ano.