Motoristas da Uber relatam que flexibilidade de horário é a principal vantagem em trabalhar na plataformaAFP
Perfil de motorista da Uber é sobretudo masculino com ganhos de US$ 7 por hora na América Latina
Pesquisa revela que 57% dos condutores possuem nível superior
Os motoristas da Uber na América Latina e no Caribe são em sua maioria homens (91%) com alto nível de escolaridade universitária (57%) que assumem este trabalho em tempo parcial para complementar sua renda, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira (25) pelo BID.
A renda média por hora de direção é de 7,3 dólares brutos (R$ 37,55, na cotação total), e os homens trabalham na plataforma quase 20 horas semanais, enquanto as mulheres dirigem por 16 horas, revelou o estudo.
Mais de 13.700 motoristas foram entrevistados em oito países da região: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México e República Dominicana.
"A maioria trabalha em tempo parcial e valoriza a autonomia oferecida por este tipo de emprego, inclusive acima de empregos assalariados com rendimentos semelhantes", indicam dois especialistas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em um blog da instituição.
Diante da instabilidade do mercado de trabalho e da necessidade de chegar ao fim do mês, os motoristas, que têm em média 41 anos, optam por ingressar nesse mundo laboral flexível, mas instável.
A flexibilidade é mencionada como a principal vantagem pelos entrevistados, que, no entanto, reconhecem que não contam com proteção social. Apenas um terço dos motoristas contribui para sua aposentadoria por meio dos rendimentos na Uber.
"Os motoristas recorrem à Uber durante recessões, períodos de desemprego ou crises pessoais. A plataforma oferece imediatismo e liquidez, mas não necessariamente estabilidade", explica o texto.
"Muitas vezes os motoristas da Uber são apresentados como um símbolo do futuro do trabalho. Na América Latina e no Caribe, talvez sejam algo diferente: um reflexo do presente. Suas experiências mostram como milhões de pessoas já enfrentam rendas instáveis, redes de proteção frágeis e a necessidade constante de se adaptar", acrescentam os autores do estudo.

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