Presidente do BC, Gabriel Galípolo, destacou desenvolvimento de ferramentas para segurança de instituições financeirasAntônio Cruz/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade monetária apoia a proposta da Advocacia-Geral da União (AGU) para a PEC da autonomia do BC (65/2023) e disse que o relator da proposta, o senador Plínio Valério (PSD-AM), também está de acordo com ela.

"Só me resta, de novo, pedir ajuda para que a gente possa avançar nesse tema de mais alta relevância", disse. "É muito importante que a gente consiga dar serenidade ao processo de aprovação da PEC", emendou o banqueiro central, que frisou haver preocupação com o calendário político e detalhou que já pediu ajuda aos senadores para avançar com a matéria.

Galípolo enfatizou a importância do trabalho feito pelo BC, e ressaltou que as tecnologias desenvolvidas dentro da autarquia estão impedindo novos golpes contra instituições financeiras.

Nessa toada, frisou a importância de repor quadros da autoridade monetária para permitir mais instâncias colegiadas e que a autarquia consiga acompanhar tecnologias desenvolvidas por outros bancos centrais.
Caso Master
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a autarquia vive um "processo de luto" por conta do envolvimento de servidores da instituição no escândalo do Banco Master. Segundo Galípolo, o sentimento foi de "consternação" quando vieram à tona as notícias de envolvimento do ex-diretor de Fiscalização do BC Paulo Sérgio Neves de Souza e do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária Belline Santana.

Galípolo destacou, contudo, que a ética, retidão e a governança são valores presentes no dia a dia do BC e que, assim que os problemas ficaram conhecidos, a autarquia se preocupou em dar uma resposta rápida para ajudar a sanear as questões.

"A casa o BC também tem entendimento de que a governança que funciona da maneira como ela funciona por colegiados, por processos, contribuiu também para que a gente pudesse fazer todo o nosso trabalho e pudesse identificar tudo o que foi identificado", mencionou o presidente do BC.

Galípolo reconheceu, contudo, que o BC hoje tem algumas limitações para contornar esses problemas, que decorrem da falta de ferramentas legais para agir.

PLP da Resolução Bancária

Nesse sentido, o banqueiro central lembrou que mecanismos, como o projeto de lei complementar (PLP) da Resolução Bancária, vem sendo discutido já há dez anos, sem uma definição clara. "Vai completar uma década de discussão e seria muito importante que a gente pudesse ter uma atualização de uma legislação que tem mais de 50 anos e que a gente pudesse ter ferramentas para poder fazer a atuação em casos de problema de estabilidade de maneira mais rápida, com mais instrumentos, com mais ferramentas."

Galípolo defendeu a importância do PLP e Galípolo afirmou que o projeto representará um avanço muito importante. Disse que o PLP é um catch-up do que já é adotado internacionalmente. Ressaltou também a importância de discutir o projeto no momento atual, antes de que os instrumentos presentes nele sejam demandados por uma crise.

"A história mostra que, no final do dia, a gente tem que usar essas ferramentas para discutir se a gente vai fazer isso em tempo de paz e calmaria, que a gente pode debater de maneira tranquila, ou se a gente vai ser pressionado", afirmou o presidente do BC.

O projeto chegou a entrar na pauta da Câmara dos Deputados em março, mas a votação foi adiada por falta de acordo político.

Galípolo participou de entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do 1º trimestre de 2026.