Cenário de valorização e demanda aquecida aumenta a procura, mas também a incerteza sobre o preço justo dos imóveisDivulgação
Para o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), Leonardo Mesquita, o momento representa uma mudança importante no comportamento do setor.
Uma das principais dúvidas de quem está procurando um imóvel é justamente a diferença de valores entre unidades aparentemente semelhantes. Apartamentos com o igual número de quartos, no mesmo bairro - ou até no mesmo prédio - podem ter preços bastante distintos.
Segundo o presidente do Sinduscon-RJ, Cláudio Hermolin, a explicaçãoo passa principalmente pela localização.
Outros elementos também entram nessa conta. Um imóvel em andar mais alto, por exemplo, pode ser mais valorizado, especialmente se tiver vista privilegiada para o mar, áreas verdes ou a cidade. Vaga de garagem também pode elevar o preço, principalmente em regiões com menor oferta de transporte público. Já imóveis reformados tendem a ser mais valorizados, embora esse impacto varie de acordo com o contexto e a localização.
Mas, quando se trata de imóveis novos, a lógica de precificação começa ainda antes de a unidade chegar ao mercado. De acordo com Flávia Cezimbra, gestora executiva da construtora MRV no Rio, o valor é definido ainda na fase inicial do projeto.
"O preço nasce muito antes da venda, ainda na análise do terreno. É feito um estudo completo de viabilidade que considera custo, mercado, demanda e, principalmente, a capacidade real de pagamento do cliente", esclarece.
Essa lógica diferencia os lançamentos dos imóveis usados: "O preço é definido essencialmente pela análise de mercado e pela viabilidade do produto, sempre considerando a realidade financeira do cliente final. Diferente do imóvel usado, onde o proprietário pode influenciar mais, os lançamentos já entram ajustados ao que o cliente consegue pagar".
Isso também impacta na negociação. Ao contrário do que muitos compradores imaginam, a margem de desconto tende a ser menor em imóveis novos.
Nesse contexto, muitos compradores recorrem ao preço por metro quadrado como referência, mas especialistas alertam que essa métrica deve ser usada com cautela.
Além disso, a compra de imóveis na planta tem se destacado como alternativa para quem busca melhores condições. Segundo a executiva, esse modelo permite não apenas facilitar o pagamento, mas também aproveitar a valorização ao longo da obra.
O perfil do comprador também ajuda a entender o mercado. A idade média de quem adquire um imóvel no Rio é de 37 anos, e os imóveis mais procurados são os de dois quartos. Além disso, programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida ganharam força e passaram a representar uma parcela significativa das vendas, indicando uma demanda crescente por imóveis mais acessíveis.
No acumulado do ano, as vendas de unidades enquadradas no programa federal chegaram a 8.059, com crescimento de 2,9%. Os lançamentos, por outro lado, caíram 7,8%, somando 7.772 unidades.
Diante de tantas variáveis, especialistas reforçam que o consumidor precisa ir além do preço na hora de decidir. A análise da documentação, por exemplo, é fundamental para evitar problemas futuros.
Para quem está esperando o "momento ideal" para comprar, a orientação é clara: mais importante do que o cenário do mercado é o preparo financeiro.
Dados do Índice de Compra e Venda QuintoAndar Imovelweb mostram que o preço médio do metro quadrado no Rio de Janeiro está em R$ 8.227, com queda de 10,56% em relação ao ano anterior — reflexo de um cenário econômico mais desafiador, marcado por juros elevados. Nesse contexto, surgem oportunidades principalmente para quem já possui capital ou consegue financiamento.
Segundo Thiago Reis, gerente de comunicação e dados do QuintoAndar, o cenário exige atenção, mas também abre espaço para bons negócios.
A tecnologia tem sido uma aliada nesse processo: "Comprar um imóvel hoje pode ser uma experiência simples, digital e acompanhada de ponta a ponta, com mais transparência sobre custos e etapas", destaca.
"Eu comecei a pesquisar achando que ia encontrar algo dentro do meu orçamento com facilidade, mas levei um susto. Você vê dois apartamentos com o mesmo número de quartos, na mesma região, e a diferença de preço é enorme. Às vezes muda só a rua ou o estado do imóvel, e o valor já sobe muito", contou.
Ela disse que, no início, tentou fazer a busca por conta própria, mas acabou recorrendo a ajuda profissional.
"Chegou um momento em que eu fiquei perdida. Não sabia mais se um imóvel estava caro ou se era aquilo mesmo. Foi quando procurei uma imobiliária. Isso ajudou bastante a entender melhor o que realmente influencia no preço", frisa.
Mesmo com o apoio, Mariana diz que ainda enfrenta desafios:
"A maior dificuldade hoje é equilibrar o que quero com o que posso pagar. Muitas vezes, o imóvel ideal está acima do orçamento, e os que cabem no bolso precisam de reforma ou estão em locais menos valorizados".
"Eu vi apartamentos praticamente iguais, no mesmo bairro, com diferença de mais de R$ 50 mil. No começo, achei que tinha alguma coisa errada, mas depois fui entendendo que detalhes como vaga de garagem, andar e até a posição do sol fazem diferença", disse.
O motorista de aplicativo conta que decidiu buscar ajuda para evitar problemas. "Preferi fazer tudo com corretor porque tinha medo de cair em golpe ou comprar um imóvel com problema de documentação. E foi a melhor decisão, porque apareceu coisa que eu nem imaginava que precisava verificar", observa.
Mesmo assim, o processo não foi simples. "A parte mais difícil foi o financiamento. Tem muita burocracia, análise, demora. E também bate aquela dúvida se você está fazendo um bom negócio. Mas, no final, deu certo", disse.
Hoje, ele avalia a experiência como positiva, mas faz um alerta para quem está começando. "Tem que pesquisar muito e ter paciência. Não dá pra ir só pelo preço, porque às vezes o mais barato pode sair caro depois", orienta.


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