Preço do salmão caiu 10% no Rio de JaneiroDivulgação

O aumento dos preços de itens tradicionais da Páscoa tem pressionado o bolso dos consumidores no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março, considerado a prévia da inflação oficial, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que produtos típicos da data acumulam variações expressivas e desiguais em 12 meses. A análise é do economista Durval Meirelles, professor da Universidade Veiga de Almeida (UVA).
Enquanto o índice geral ficou em 3,90% no país e 3,08% na capital fluminense nos últimos 12 meses, itens diretamente associados à celebração registraram altas mais intensas, com destaque para o chocolate.
No Rio, o preço de chocolate em barra e bombom subiu 26,66% em um ano, bem acima da inflação média. Já o chocolate e achocolatado em pó avançou 16,23% no mesmo período.
Para Meirelles, a inflação da Páscoa neste ano está menos espalhada e mais concentrada. Embora o IPCA-15 tenha vindo menor do que no ano passado, isso não significa alívio no orçamento familiar, alerta o especialista.
“Na prática, o aperto aparece justamente nos itens mais consumidos e sazonais da data. O chocolate segue pressionado por uma combinação de custos internacionais do cacau, repasses ao longo da cadeia e a demanda típica desse período. É um produto em que a inflação costuma aparecer com mais força nesta época do ano”, explica.
Por outro lado, os pescados – alternativa às carnes vermelhas durante a Semana Santa – apresentaram comportamento mais moderado. No agregado, os preços caíram 0,57% em 12 meses no Rio de Janeiro.
Entre os principais itens, o salmão teve queda expressiva de 10,05%, enquanto o camarão recuou 0,14%. Já o bacalhau, um dos produtos mais tradicionais da Páscoa, subiu 5,77%, acima da inflação local. A corvina registrou alta de 2,14%.
“Os pescados mostram uma dinâmica mais heterogênea, o que amplia a margem para substituição. Como alguns itens da cesta de Páscoa subiram mais, o consumidor tende a compensar em outras escolhas, trocando marcas, ajustando quantidades e optando por peixes mais baratos”, diz o professor da UVA.
Além dos itens principais, produtos que costumam compor as receitas típicas da data também tiveram variações relevantes. O azeite de oliva, ingrediente-chave em pratos à base de peixe, apresentou queda de 24,04%, enquanto a azeitona subiu 11,02%.
Entre os hortifrutigranjeiros, a batata-inglesa teve alta de 9,26% e o tomate, de 10,01%, ao passo que a cebola registrou queda de 9,51%.
“Os hortifrutigranjeiros seguem muito voláteis, bastante sensíveis ao clima e às condições de oferta. Isso ajuda a explicar por que o custo total da refeição pode variar bastante dependendo do momento e do local de compra”, completa.
Já no segmento de bebidas, o movimento foi misto: a cerveja subiu 10,31% em 12 meses, enquanto o vinho teve leve recuo de 2,19%.
Para o economista, o cenário reforça um padrão já observado em anos anteriores: itens mais tradicionais da Páscoa, como chocolate e bacalhau, tendem a concentrar pressões inflacionárias, enquanto outros produtos acabam funcionando como alternativas para o consumidor.
“Diante desse cenário, o consumidor precisa pesquisar mais e buscar alternativas para reduzir custos, negociando preços e ajustando o consumo”, conclui Meirelles.