Faturamento do varejo brasileiro registrou expansão de 0,6%Fernando Frazão/Agência Brasil
De acordo com a pesquisa, o comércio eletrônico foi um dos principais destaques de março, com alta nominal de 10,5%, bem acima do varejo físico, que avançou 1,5%. A performance do canal digital está associada, sobretudo, às campanhas promocionais do mês do consumidor, tradicionalmente mais concentradas no ambiente online.
"Os números de março confirmam um varejo mais resiliente e estratégico. Mesmo com inflação pressionando e o consumidor mais cauteloso, estímulos promocionais, efeitos positivos de calendário e a força do digital ajudaram a sustentar o crescimento nominal. O cenário mostra um consumidor seletivo, mas ainda disposto a consumir quando há oportunidade clara de valor", afirmou, em nota, o vice-presidente de Negócios da Cielo, Carlos Alves.
De acordo com o levantamento, o resultado de março foi influenciado principalmente pela base de comparação mais favorável, já que o carnaval ocorreu em fevereiro em 2026, enquanto em 2025 foi celebrado em março. Esse deslocamento beneficiou segmentos que costumam ter restrições operacionais durante o feriado, como autopeças e serviços automotivos, ao mesmo tempo em que impactou negativamente setores tradicionalmente aquecidos pela data, como bares e restaurantes
Outro fator relevante foi a antecipação da Páscoa, celebrada no início de abril em 2026, o que concentrou parte das compras no fim de março e contribuiu para o desempenho do varejo no período
No entanto, se descontar o efeito calendário, o ICVA revela um recuo de 1,0% em março. Ou seja, os eventos deste ano foram responsáveis pelo resultado positivo.
Em março, descontada a inflação, o macrossetor de bens não duráveis foi o destaque em março, com crescimento de 3,2%, impulsionado principalmente pela Páscoa, informa a Cielo. O varejo alimentício especializado apresentou bom desempenho, enquanto cosméticos e higiene pessoal recuaram. O macrossetor de Serviços registrou queda de 3,7%, impactado por Alimentação - Bares e Restaurantes. Já Bens duráveis e semiduráveis apresentaram recuo de 1,8%, com destaque positivo para móveis, eletrodomésticos e lojas de departamento, beneficiados por promoções.
Regiões
Na análise regional, o Nordeste foi a região que apresentou o maior crescimento real, com alta de 1,9% no ICVA deflacionado sem ajuste de calendário. O Sul teve avanço de 1,4%. As demais regiões registraram queda. Segundo o levantamento, no recorte por unidades da federação, alguns Estados se destacaram positivamente no desempenho do varejo em março. Em termos deflacionados, Sergipe liderou o crescimento, com alta de 6,5%, seguido por Amapá (+5,0%) e Minas Gerais (+4,0%), indicando um dinamismo regional relevante mesmo em um cenário macroeconômico ainda desafiador.
Na outra ponta, alguns Estados registraram retração no período. Pará apresentou a maior queda, com recuo de 3,4%, seguido por Goiás (-2,0%) e Roraima (-1,4%). O desempenho mais fraco nessas regiões pode refletir uma combinação de fatores, como maior sensibilidade à inflação, menor intensidade de estímulos ao consumo e dinâmica setorial menos favorável no mês.
A Cielo ressalta, ainda, que a cautela do consumidor também pode explicar o crescimento das vendas em setores não essenciais como turismo e transportes, que registraram alta relevante no mês, especialmente companhias aéreas.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.