Celina Leão (PP) comunicou que pedirá oficialmente ajuda ao o governo do presidente da repúblicaFabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
Estados e municípios precisam passar por uma análise da capacidade de pagamento ao realizar operações com garantias do Tesouro Nacional. A União exige notas de capacidade de pagamento (CAPAG) entre A e B para conceder garantias em empréstimos. O Distrito Federal possui nota C, abaixo do necessário.
"O Governo do Distrito Federal informa que a governadora Celina Leão irá encaminhar ao Tesouro Nacional ofício solicitando aval do governo federal para avançar nas tratativas relacionadas a uma operação junto ao Fundo Garantidor de Créditos", diz nota divulgada pelo governo distrital. "A iniciativa integra as medidas que vêm sendo conduzidas com transparência, responsabilidade e diálogo institucional para garantir a estabilidade do BRB. O documento está em fase final de formalização.", finalizou.
O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) pediu um empréstimo de R$ 4 bilhões ao FGC, mas não obteve resposta. O Estadão apurou que o fundo só pretende ajudar o BRB se outros bancos entrarem em um consórcio. Integrantes do Banco de Brasília dizem que, para o banco continuar funcionando, o BRB precisa de no mínimo R$ 6,6 bilhões em dinheiro novo no patrimônio.
Além do aval da União, a governadora Celina Leão também quer interceder a Lula para que o petista solicite à Caixa e ao Banco do Brasil que comprem ativos do BRB e ajudem o banco a estancar a crise de liquidez, também desencadeada pelo Caso Master. A instituição anunciou um acordo para vender R$ 15 bilhões em ativos que eram do Banco Master e estão no estabelecimento financeiro, mas o sucesso da operação ainda é incerto.
Em entrevista ao Estadão na semana passada, Celina afirmou que não contava mais com ajuda do governo federal para socorrer o BRB: "Se dependêssemos de algum banco público comandando pelo governo federal, já teríamos fechado as portas do BRB", afirmou ela. Técnicos da administração, no entanto, avaliam que o governo distrital não tem de onde tirar dinheiro neste momento para injetar no Banco de Brasília.
A governadora vai recorrer a Lula após fazer criticas e antagonizar com o petista. Na entrevista ao Estadão, ela afirmou que o "escândalo do Caso Master está dentro do coração do PT (Partido dos Trabalhadores) no Planalto".
Anteriormente, durante cerimônia de entrega de 13 viaturas novas para Polícia Militar, Celina evitou falar o "13", número do PT na urna, e disse estar entregando "12 mais 1" patrulhas. Depois, ela afirmou que o governo Lula não tinha "boa vontade" para ajudar o Distrito Federal.
Enquanto tenta salvar o banco público, a gestão tenta também salvar o caixa do Distrito Federal. A governadora determinou uma revisão de contratos e um corte de gastos em despesas da administração pública.
Além disso, o governo quer antecipar R$ 52 bilhões em créditos inscritos na dívida ativa, vendendo os papéis no mercado financeiro. A operação, porém, tem restrições, pois o dinheiro só pode ser usado na previdência e em investimentos, e não num aporte ao BRB, e não há previsão de quando e quanto o governo conseguiria levantar.