Ministro da Fazenda, Dario Durigan, ficará à disposição para explicar quaisquer dúvidas em relação ao PixFabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quarta-feira (6) que o governo estuda uma segunda rodada do Desenrola para adimplentes com dívidas de juros altos. Além disso, declarou que está em análise uma linha do programa para os informais, que deve ser anunciada no fim de maio ou no início de junho.

"Ele (o informal) é quem mais toma juros caros no país e nós estamos estudando uma linha pros informais para ser anunciada no fim de maio, começo de junho", declarou.

Ele participa do programa Bom dia, ministro, da EBC, uma empresa pública controlada pelo governo federal.

"Nós estamos estudando uma segunda rodada pra quem tá adimplente e tem juros alto. Aqui, seja uma pessoa que é informal, por exemplo, o informal no país, que é um olhar que a gente tem com muito cuidado", completou.

No programa, Durigan também disse que Novo Desenrola é continuidade de processo iniciado na primeira versão do programa e que ele não criará uma cultura de pessoas não pagarem suas dívidas.

"A gente começou a lidar com endividamento pós-pandemia, pré-governo Lula, e agora nós vamos terminar esse processo. Não é um processo que vai durar, por isso a mobilização de 90 dias para você renegociar sua dívida. Não é para deixar para um segundo momento, é preciso pagar as nossas dívidas", afirmou.

Segundo ele, o setor financeiro aponta que a inadimplência é o principal fator do spread dos bancos e agora o governo está tentando reduzir esse fator. Ele foi enfático ao dizer que o programa como o Novo Desenrola não vai se repetir.

Durigan declarou que o problema para começar a rodar o programa pelos bancos foi um "ruído" que já foi resolvido, com todos os bancos operando.
Juros
O ministro da Fazenda disse que não é verdade que os juros são altos no Brasil porque o governo gasta muito. Ele afirmou que a taxa de juros é alta, mas é preciso distinguir razões para isso. 

"Do lado do Ministério da Fazenda, a conta pública tem melhorado ano a ano. Então a gente zerou o déficit em 2024, manteve o déficit zerado em 2025 e estamos mirando superávit a partir de 2026 e 2027", afirmou.

Durigan declarou que os juros elevados explicam o contexto das dívidas da população, mas a inadimplência explica mais o assunto Para ele, hoje, o que mais pressiona a política monetária é a guerra e as medidas do governo para combustíveis ajudam a política monetária.

"Hoje o que mais afeta a taxa de juros no país são questões externas. Veja que todo o debate público é a guerra que tem desajustado a economia do mundo, fazendo com que preços aumentem e isso coloca pressão na inflação", completou.
Combustíveis
O ministro da Fazenda disse que o Brasil é um dos países menos afetados por alta do petróleo por conflito no Oriente Médio e que o impacto da alta no petróleo nos preços de combustíveis no Brasil é da ordem de 20%. 

De acordo com ele, entretanto, no Brasil, não há risco para abastecimento de combustíveis e o país vive estabilidade nos preços do GLP, apesar de alta em partes do mundo.

Ainda assim, ele voltou a defender o PLP enviado pelo governo ao Congresso que autoriza a União a usar recursos extraordinários de receitas com o petróleo para reduzir impostos sobre os combustíveis.

"Nós temos um debate sobre gasolina e etanol. Para que a gente não aumente o preço da gasolina e do etanol no país, nós pedimos ao Congresso uma autorização que é a seguinte. Hoje, se eu não tiver essa autorização, para eu tirar um pouco do tributo da gasolina, eu tenho que aumentar um outro tributo, para manter a neutralidade", completou.

O ministro disse também que todos os Estados aderiram à subvenção ao diesel, menos Rondônia, por questões políticas.

"Todos os Estados aderiram agora com formalização, assinaturas, menos um Estado, que é um Estado que a gente teve muita dificuldade de dialogar, o Estado de Rondônia, não teve retorno, esse estado não aderiu", afirmou.

Durigan afirmou que é lamentável que, por razões políticas, Rondônia não ter aderido à subvenção. Segundo ele, se o problema fosse técnico, teria sido discutido pelos outros Estados, por exemplo.

"É lamentável que a gente tenha questões políticas orientando a decisão do país nesse momento que nós estamos fazendo um esforço nacional em benefício da população", completou o ministro.
Reunião de Lula e Trump
O ministro da Fazenda afirmou que a expectativa para a viagem aos EUA e encontro com Donald Trump é a melhor possível. Segundo ele, a ideia é tratar com o norte-americano de maneira construtiva. Ele participa do programa Bom dia, ministro, da EBC, uma empresa pública controlada pelo governo federal.

"O debate brasileiro no mundo é muito respeitoso e o Brasil muito respeitado. Então, a gente agora está se preparando para essa visita lá em Washington, para tratar com o presidente Trump e com a equipe dele, sempre de maneira muito construtiva", afirmou.

Na pauta, de acordo com o ministro, estão a cooperação entre Brasil e EUA contra o crime organizado e sobre tarifas comerciais impostas pelos norte-americanos aos produtos brasileiros.

"Aumentar essa cooperação para combater o crime organizado está na nossa pauta. Tratar das questões envolvendo tarifa e comércio bilateral está na nossa pauta", completou.
Escala de trabalho
Durigan disse que é preciso reconhecer o ganho de produtividade com o fim da jornada 6x1 e afirmou que não cabe nenhuma compensação às empresas por conta da redução da carga semanal de trabalho. 

"Eu digo o seguinte, 40 horas por semana, com dois dias por semana, sem redução de salário e sem compensação com benefício fiscal. Não cabe dizer aqui que o Estado tem que indenizar o empresário. Agora, cabe, sim, discutir transições para casos específicos", afirmou.

Durigan disse ainda que grande parte das pessoas está à beira de um burnout e é preciso considerar a realidade do trabalho ao avaliar a escala. Segundo ele, só 3 em cada 10 brasileiros estão na escala 6x1, mas 80% deles é quem ganha até dois salários mínimos.

"O que eu sinto do trabalho hoje, da realidade do trabalho das pessoas, é que está todo mundo próximo do burnout. Porque, claro, as pessoas estão aumentando a sua produtividade", completou.