Estudo acompanha mensalmente a movimentação do varejo no paísReginaldo Pimenta/ arquivo/ Agência O Dia
Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o desempenho do varejo em abril reforça um cenário de resiliência, ainda que com sinais claros de limitação no ritmo de crescimento.
Indicadores como massa de renda em patamar elevado e mercado de trabalho resiliente seguem dando suporte ao consumo. “Mesmo com a renda sustentada, o alto nível de endividamento das famílias e o custo do crédito ainda limitam uma recuperação mais consistente. Com isso, o varejo mantém um quadro de crescimento, porém com resultados mistos e sem mudanças relevantes no cenário macroeconômico mais amplo”, completa.
No comparativo anual, seis dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento. A maior alta foi observada, também pelo segundo mês consecutivo, em Combustíveis e Lubrificantes (14,4%), seguida por Material de Construção (7,4%), Artigos Farmacêuticos (6,4%), Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (6,1%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (4,3%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (1,3%). As quedas foram registradas em Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (5,4%) e Móveis e Eletrodomésticos (0,1%).
Na análise por regiões, 25 estados apresentaram crescimento em abril, em relação ao ano passado. O maior avanço foi registrado no Acre (11,5%), seguido por Rio de Janeiro (9,6%), Roraima (8,2%), Amazonas (7,5%), Tocantins (7,3%), Sergipe (7,0%), Amapá (6,7%), São Paulo (6,0%), Pernambuco (5,6%), Espírito Santo (5,5%), Pará e Minas Gerais (5,2%), Mato Grosso (4,8%), Rondônia (4,5%), Mato Grosso do Sul (3,8%), Santa Catarina (3,7%), Rio Grande do Norte (3,4%), Piauí e Paraíba (3,3%), Maranhão (2,4%), Bahia (2,0%), Paraná (1,8%), Goiás (1,6%), Distrito Federal (0,8%) e Ceará (0,6%). As quedas foram registradas em Alagoas (3,7%) e no Rio Grande do Sul (0,1%).
“Os dados regionais de abril mostram que o crescimento do varejo também se distribui de forma desigual entre os estados. O desempenho é mais forte em regiões como Norte e Sudeste, enquanto outras apresentam avanços mais moderados e, em alguns casos, retração. Essas diferenças refletem dinâmicas locais de renda, mercado de trabalho e acesso ao crédito. De forma geral, o varejo segue em expansão, mas ainda sem uma aceleração suficiente para caracterizar uma recuperação mais consistente e homogênea no país”, avalia Guilherme Freitas.
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