Caixa fez 101 mil contratos de renegociação de dívidas pelo Novo Desenrola BrasilMarcelo Camargo / Agência Brasil
Até o momento, foram R$ 3,84 bilhões em dívidas renegociadas apenas na Caixa Econômica Federal. Ao todo, 101 mil contratos foram feitos por meio do programa. O programa conta com quatro frentes no banco público: Desenrola Famílias direcionado a pessoas físicas; Desenrola Fies, para estudantes com débitos vencidos e não pagos até 31 de janeiro de 2026; Desenrola Rural, destinado a agricultores familiares, assentados da reforma agrária, cooperativas e povos tradicionais; e Desenrola Empresas, focado para microempreendedores individuais (MEI), micro e pequenas empresas que buscam melhores condições de crédito.
No âmbito do Desenrola Famílias, em menos de duas semanas, 1.134.507 operações foram renegociadas ou liquidadas, equivalentes a cerca de R$ 10 bilhões em dívidas, conforme levantamento parcial do Ministério da Fazenda.
Dessas mais de 1 milhão de dívidas, 449.003 operações foram quitadas à vista até 14 de maio, com desconto médio de aproximadamente 85%. Os débitos originais dessas operações somavam R$ 1,06 bilhão, enquanto o valor efetivamente pago pelos consumidores foi de R$ 154,2 milhões.
O programa oferece descontos para dívidas feitas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos, incluindo débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
As condições incluem:
- juros máximos de 1,99% ao mês;
- prazo de até 48 meses;
- até 35 dias para pagamento da primeira parcela;
- limite de até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira (após descontos);
- aval do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
Para facilitar a vida daqueles que pretendem renegociar a dívida do Desenrola Famílias, o Ministério da Fazenda disponibilizou uma calculadora que auxilia a estimar os valores das pendências após o desconto e o valor de cada parcela.
No último Desenrola Fies, voltado à renegociação de contratos do Fundo de Financiamento Estudantil, mais de R$ 17,7 bilhões em dívidas estudantis foram resolvidas. Neste ano, os descontos podem chegar até 99%.
Os irmãos Igor Cartiê e Iago Silva foram dois dos beneficiados pelo programa. Ambos moram na cidade de Itajuípe, no Sul da Bahia, e ingressaram no curso de Jornalismo no ano de 2014. Desde a graduação, Igor e Iago acumularam uma dívida de R$ 88,4 mil e R$ 67,6 mil, respectivamente.
Ao abrir o período de adesão ao Desenrola, Igor e Iago conseguiram o desconto de 99% por estarem incluídos no grupo do CadÚnico (em situação de vulnerabilidade social) e com débitos vencidos há mais de 360 dias. Hoje os valores a serem pagos são R$ 884,46 e R$ 676,77, que inclusive podem ser parcelados.
Com a situação estável e o CPF desbloqueado, os irmãos pretendem aproveitar a oportunidade para aprender mais sobre educação financeira e evitar novos endividamentos. Igor planeja realizar a tão esperada viagem de formatura que nunca teve a condição, e Iago celebra o equilíbrio financeiro de poder futuramente adquirir uma casa própria.
Inadimplência
A diretora do Serasa Aline Maciel explica que “muitas pessoas querem negociar suas dívidas, mas ainda enfrentam obstáculos como falta de acesso digital, insegurança ou dificuldade para entender as opções disponíveis”.
O cenário de inadimplência segue pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Segundo último levantamento da Serasa, o país atingiu a marca histórica de 83,3 milhões de pessoas em abril, aumento de 0,67% em relação ao mês anterior, que corresponde a mais da metade da população adulta do país (50,8%).
Ao todo, os brasileiros acumulam 342 milhões de dívidas negativadas e o valor médio de dívida por pessoa chegou a R$ 6.814,39. Só no Rio de Janeiro, são mais de 8 milhões defluminenses com o nome negativado, que somam mais de 31 milhões de dívidas.
Bancos e cartões de crédito representam 27,5% do total das pendências, seguidos por contas básicas (21%) e financeiras (19,8%), empresas que concedem crédito, mas não se enquadram como bancos.
“Em um cenário de inadimplência recorde, ampliar o acesso às negociações se torna ainda mais importante. Buscar a negociação é o primeiro passo para que o consumidor recupere seu acesso ao crédito e sua capacidade de planejamento, garantindo mais estabilidade e tranquilidade financeira”, reforça Aline.
Para facilitar o acesso à renegociação de dívidas, o Serasa fez uma parceria com os Correios, na qual os consumidores poderão negociar dívidas presencialmente em todas as agências do país. “Levar esse atendimento para as agências dos Correios é uma forma de democratizar o acesso às negociações e incentivar a retomada financeira da população”, diz a diretora do Serasa.
Aqueles que quiserem aderir ao Novo Desenrola Brasil, devem procurar os canais oficiais das instituições em que possuem dívidas. Nelas, deve haver um espaço dedicado para a renegociação. O atendimento presencial também é possível em agências bancárias, ou no caso do Serasa, em agências dos Correios.
* Matéria do estagiário Felipe Scofield, sob supervisão de Marlucio Luna

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.