Conta de luz e alimentos ajudaram a reduzir a prévia da inflação em agostoMarcelo Camargo/Agência Brasil

Rio - A prévia da inflação brasileira registrou deflação de 0,40% em agosto, a menor taxa para o mês desde 2022, quando o índice havia recuado 0,73%. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foi influenciado, principalmente, pelo desconto do Bônus de Itaipu na conta de energia elétrica e pela queda nos preços dos alimentos.
LEIA MAIS: Pé-de-Meia: nascidos em maio e junho recebem parcela nesta quarta

O resultado integra o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Em julho, o indicador havia registrado alta de 0,06%. Com o recuo de agosto, o índice acumula alta de 4,24% nos últimos 12 meses.

Conta de luz puxa inflação para baixo

Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, cinco registraram queda de preços. O grupo Habitação teve a maior retração (-1,41%), seguido por Transportes (-1,00%), Alimentação e bebidas (-0,57%), Vestuário (-0,20%) e Comunicação (-0,02%).

O principal impacto individual veio da energia elétrica residencial, que ficou 6,25% mais barata e contribuiu com -0,26 ponto percentual para o índice geral. A redução está diretamente relacionada ao repasse do Bônus de Itaipu nas faturas dos consumidores.

Alimentos também registram queda

O grupo Alimentação e bebidas recuou 0,57%, puxado principalmente pela alimentação no domicílio, que ficou 0,97% mais barata.

Entre os itens que apresentaram maior recuo de preço estão:

Tomate: -27,38%

Batata-inglesa: -25,14%

Cenoura: -17,05%

Café moído: -2,31%

Passagens aéreas e combustíveis

No grupo Transportes (-1,00%), o principal destaque foi o item passagem aérea, que recuou 13,30% no período.

Os combustíveis também registraram retração média de 1,43%. O etanol liderou as quedas do segmento com -3,63%, seguido pela gasolina (-1,23%) e pelo óleo diesel (-0,71%).

IPCA-15 x IPCA

O IPCA-15 utiliza metodologia idêntica à do IPCA, considerado a inflação oficial do país. As principais diferenças concentram-se no período de coleta dos dados e na abrangência geográfica.

Para a leitura atual do IPCA-15, os preços foram pesquisados entre 16 de julho e 14 de agosto. O indicador acompanha a variação de custo de vida de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas e municípios do país.

O IPCA tradicional, por sua vez, abrange 16 localidades e cobre o mês civil completo (do primeiro ao último dia).

O resultado fechado do IPCA de agosto será divulgado pelo IBGE no dia 11 de setembro. Segundo o Boletim Focus mais recente, analistas do mercado financeiro projetavam uma deflação de 0,18% para o índice oficial do mês.