Trump criticou a escolha por Bad Bunny como apresentação do show do intervalo do Super BowlAFP

Rio - A NFL, a liga de futebol americano, não tem planos de tirar Bad Bunny, cantor porto-riquenho, do show de intervalo do Super Bowl 60, que ocorrerá no Levi's Stadium, casa do San Francisco 49ers, em fevereiro de 2026. Desde o último mês, a escolha da liga pelo artista recebeu críticas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e de seus apoiadores.
As críticas de Trump, no entanto, ocorrem em função da mensagem que o artista traz em seus shows: a valorização da cultura latina, em um momento de repressão aos imigrantes nos Estados Unidos. Roger Goodell, comissário da NFL, comentou sobre essa questão em entrevista coletiva nesta quarta-feira (23), após a reunião de outono da liga, que reúne executivos e donos das franquias.
"É tudo muito bem pensado. Não tenho certeza se já selecionamos um artista sem sofrer críticas ou reações negativas. É bem difícil fazer isso quando se tem centenas de milhões de pessoas assistindo. Ele é um dos artistas mais importantes e populares do mundo. É isso que tentamos alcançar. É um palco importante para nós. É um elemento essencial para o valor do entretenimento", disse o comissário.
A escolha ocorre em um momento de expansão da NFL na América Latina. Bad Bunny, natural de Porto Rico, é o nome artístico de Benito Antonio Martínez Ocasio, 31 anos, que se tornou um dos principais artistas da atualidade, com estilo musical que une elementos do pop, reggaeton e música latina. O cantor também observou um aumento em sua popularidade, ao superar a marca de 80 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
Bad Bunny se apresenta em espanhol nos shows e a tendência é que o mesmo se repita no Super Bowl. Nas últimas semanas, chegou a brincar sobre isso no "Saturday Night Live", programa de comédia americano, que os americanos teriam "quatro meses para aprender espanhol". Em entrevista ao canal Newsmax, o presidente Trump criticou a escolha pelo cantor.
"Nunca ouvi falar dele. Não sei quem ele é, não sei por que estão fazendo isso. É loucura. E eles culpam algum promotor que eles têm. Eu acho ridículo", afirmou.
O cantor excluiu os Estados Unidos da turnê de seu álbum "DeBÍ TiRAR MáS FOToS", que se estende por 2025 e 2026, e usou a ação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) como justificativa. Desde que Trump assumiu a presidência, o ICE aumentou o número de prisões de imigrantes nos Estados Unidos, bem como as deportações. Em agosto, cerca de 1,5 mil pessoas passaram a ser deportadas por dia.
"O ICE poderia estar lá fora. E era algo sobre o qual estávamos conversando e que nos preocupava muito", afirmou, em entrevista para a revista i-D.
Bad Bunny também se mostrou abertamente contrário a Trump nos últimos anos. Em 2024, declarou apoio à democrata Kamala Harris, que concorreu com o republicano pela presidência dos Estados Unidos. Também criticou a fala do comediante Tony Hinchcliffe que, durante um comício de Trump, classificou Porto Rico como uma "ilha de lixo flutuante".
A tensão imigratória nos Estados Unidos afeta, especialmente, a comunidade latina, como porto-riquenhos. Em 2020, o último censo apontou que a população hispânica e latina representava 18,7% dos EUA, cerca de 62 milhões de pessoas. No último ano, a escolha de Kendrick Lamar para se apresentar no Super Bowl 59, em Las Vegas, também foi criticada por setores favoráveis ao presidente, por abordar questões raciais e sociais em suas canções.