Calendário do futebol brasileiro terá mudanças em 2026REPRODUÇÃO
Fala, Galera! Nessa semana começou mais uma temporada do futebol brasileiro, e com ela os desafios que sempre recomeçam com a construção de nosso difícil e complexo calendário.
Somos o único país importante do mundo do futebol com competições estaduais, regionais, nacionais e internacionais disputadas pelos nossos clubes mais tradicionais. Não é mole! O tamanho continental do Brasil dificulta ainda mais a vida dos times profissionais e a formatação de um calendário que consiga, racionalmente, organizar as diferentes dinâmicas e culturas existentes em nosso país.
É sempre fundamental lembrar que o nosso futebol não está apenas nas grandes agremiações e torcidas. Lá é a ponta. A sua base está espalhada por todo o Brasil, pelo interior, pelas equipes de bairro e locais. São elas que, em sua maioria, municiam as divisões de base dos grandes clubes formadores. É isso que vemos, por exemplo, assistindo a Copinha, nossa principal competição de base e que reúne nada menos do que 128 times de todos os cantos desse gigantesco país.
E logo no início de janeiro começaram os estaduais. Neste ano, a CBF acertadamente diminuiu o número de datas para essas competições, para caber na agenda em ano de Copa do Mundo. Foi o mais racional a se fazer, assim como começar o campeonato brasileiro, nossa principal competição, já no final do mês. Isso possibilitará que todo o nosso futebol da elite pare durante a Copa, como no resto do mundo da bola.
Quando eu comecei a jogar profissionalmente, os campeonatos mais importantes eram os estaduais. Duravam mais do que o brasileiro, inclusive. Era outra época, a televisão não pagava tanto quanto hoje e o que mais importava eram as resenhas e as rivalidades regionais.
Atualmente, do jeito em que estão, acabaram virando um problema para os grandes. Só têm lhes servido para gerar crise, quando vão mal. Mas pros clubes de menor orçamento, como o meu Mecão, eles são essenciais. Movimentam mercados, geram empregos e oferecem vitrine para jovens e promissores talentos, ou até mesmo a chance de recuperação para veteranos da bola. O que sempre faltou foi adequá-los para as diferentes realidades dos clubes.
Nessa pegada, acho que a diminuição inicial de datas para os estaduais e o aumento de participantes para as séries D e C, medidas anunciadas pela CBF no ano passado, são um bom começo para ajustar o nosso calendário. Mas precisa ir além, com a valorização dessas competições e a utilização dos estaduais como seletivas de acesso.
Como presidente do America, vivo tudo isso na pele. Com muito esforço e trabalho de gestão, retornamos às competições nacionais. Teremos um calendário maior, mas ainda insuficiente. No mundo B da bola, não tem como manter elenco. Todo ano tem de montar um novo time. E isso acaba dificultando a própria formação de talentos.
Continuamos na luta, e com a ajuda de Papai do Céu buscaremos mais conquistas! Mas lutaremos, também, para que o calendário de nosso futebol seja cada vez mais racional e inclusivo.

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