Ricardo Henrique faz a comemoração do Gabigol na final de 2019Arquivo pessoal

“Voltar para Lima vai ser emocionante, o lugar onde você teve a maior alegria com seu time de coração”. A fala é de Ricardo Henrique, torcedor do Flamengo que, mesmo antes da semifinal da Libertadores contra o Racing, já comprou sua passagem de avião para a capital peruana, palco do histórico título de 2019 e da final do torneio deste ano. Mas, para que o advogado, de 49 anos, possa acompanhar novamente a equipe na decisão, o Rubro-Negro precisa passar pelos argentinos. O jogo de ida é nesta quarta-feira (22), às 21h30 (de Brasília), no Maracanã, e o Mengão tenta abrir vantagem para a volta em Buenos Aires.

“A expectativa para o primeiro jogo é muito positiva, o Flamengo sabe que tem que fazer um bom resultado e, assim, garantir a vaga para a grande final. O confronto contra o Racing vai ser muito difícil. É um elenco cascudo, com bons jogadores e que continuou forte mesmo com a saída de destaques do time nas conquistas da Sul-Americana (2024) e da Recopa (2025). Estou torcendo para que não mudem a sede da final (Lima), porque eu e minha esposa compramos as passagens desde as oitavas”, explicou o torcedor.

Em 2019, a decisão estava prevista para ser realizada no Estádio Nacional do Chile, em Santiago. No entanto, devido aos protestos que aconteciam no país, a Conmebol mudou o local a menos de 20 dias da grande final. Ricardo e a esposa já tinham adquirido as passagens na ocasião, mas, com a alteração, ele precisou ir sozinho e disse que ficou “extremamente decepcionado”, porque ver o Rubro-Negro em uma decisão de Libertadores era um sonho compartilhado pelo casal. Neste ano, eles estão prontos para ir juntos, mas dependem do Flamengo fazer a sua parte.

Assim como Ricardo, Rodrigo Lindenblatt já comprou a passagem para a capital peruana e garantiu que, desde 2019, não deixa de ir em nenhuma final do Mengão. O corretor de seguros, de 48 anos, vive um “misto de ansiedade e nervosismo” só de pensar em voltar para Lima, mas antes terá ‘duas paradas’, no Maracanã e em Buenos Aires, para ajudar a levar o Flamengo à decisão.

“Racing é freguês. Eu já tinha comprado a passagem antes da decisão do segundo jogo do Estudiantes. Obrigado, Rossi! Estarei no Maraca e na Argentina, se Deus e São Judas quiserem. Confio que passaremos, agora como? Tomara que com uns 5 a 0 no Maraca pra ir para Buenos Aires só para beber bons vinhos!", contou Rodrigo.

“É muito bom poder acompanhar esses momentos e viver a história. Normalmente, compro as passagens antes, em abril ou maio. Em Lima (2019), foi a experiência mais marcante, sem dúvidas. Fui sozinho, mas fiz amizades durante as viagens. Foi meio louco, lembro de voltar andando sozinho pelas ruas. Fiquei bem alegre e gritando que nem um doido depois de umas cervejas. Não que não tivesse experimentado outras sensações parecidas no Maracanã, mas essa final foi meio que um trampolim para os novos tempos de Flamengo a nível mundial”, concluiu.

No entanto, nem todo rubro-negro que pretende ir a Lima já conseguiu comprar sua passagem. É o caso de Alexandre de Paula, que está decidido que vai para a final e até reservou hospedagem no Peru, mas ainda depende da agenda da escola do filho, de 17 anos, para levá-lo junto. O empresário esteve na decisão da Liberta contra o Palmeiras, em 2021, quando o Flamengo amargou o vice em Montevidéu. Agora, em 2025, os dois podem voltar a se encontrar na grande final  o Alviverde encara a LDU, do Equador. “A sensação de pegar o Palmeiras não é boa por conta da derrota, mas seria a vingança. O ápice”, destacou.
*Reportagem da estagiária Beatriz Dias, sob supervisão de Leonardo Siqueira