Acompanhado da delegada Natália Patrão, Carlos Augusto detalhou o desdobramento das investigações Foto Divulgação

Itaperuna - O caso em que um adolescente e 14 anos matou os pais e um irmão de três anos, em Itaperuna, ao norte do estado do Rio de Janeiro, no último dia 21, entra para o rol dos “crimes bárbaros extremos”. Não apenas pelo ato; mas, principalmente, pela frieza do executor, compartilhado com a namorada, que reside em Mato Grosso. A mãe dela também estava marcada para morrer.
As investigações são presididas pelo delegado da 143ª Delegacia de Polícia Civil de Itaperuna, Carlos Augusto da Silva. Ele conclui - graças ao trabalho paralelo do delegado da localidade de Água Boa, em Mato Grosso, Mateus Augusto - que a namorada do executor do triplo homicídio é co-autora. A moça negou ter participação; mas, conversas entre ela e o namorado às quais a autoridade teve acesso demonstram claramente o envolvimento.
Em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (1), Carlos Augusto apresenta detalhes impactantes. O delegado aponta que o casal de adolescentes se inspirou no jogo de aventura de terror psicológico The Coffin of Andy and Leyley (o caixão de Leyley) para planejar a barbárie, via internet. A motivação não teria sido apenas a proibição do relacionamento pelos pais; ganância também é outro fator considerável.
No primeiro momento das investigações, Carlos Augusto tinha apenas o adolescente como autor-confesso; porém, já suspeitava de que poderia ter mais alguém envolvido. Houve solicitação para que a polícia de Mato Grosso ouvisse a namorada, que disse desconhecer o episódio. No entanto, a mãe disponibilizou o notebook da filha e o delegado de Água Boa teve acesso às conversas.
A partir de então, está demonstrado que a jovem teve participação antes, durante e depois dos crimes e sugeriu também o extermínio de uma avó do namorado, com o que ele não havia concordado. “As mensagens revelam que a adolescente incentivou e até pressionou o namorado a cometer os assassinatos”, diz o delegado.
“Ela chegou a dizer que se o namorado não executasse os crimes, o relacionamento estaria acabado. Após os homicídios, ambos articularam disfarçar a cena”. Caso os dois conseguissem se encontrar em Mato Grosso, o plano era matar a mãe da menor (de 15 anos), temendo que ela descobrisse tudo e os impedisse de fugir para viverem juntos em Mato Grosso do Sul.
PRÓXIMA VÍTIMA - A frieza de ambos é estarrecedora. De acordo com Carlos Augusto, planejaram até como conseguiriam recursos. O adolescente buscava um montante de R$ 32 mil do pai, proveniente do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e vender bens da família (um carro e a casa). "Em um trecho das conversas, a menina diz que só faltava matar a mãe dela”, enfatiza o delegado.
Na avaliação da autoridade, a sugestão da menina deixa subentendido que, se ambos não fossem apreendidos a tempo, haveria a quarta vítima. Os protagonistas da ‘história macabra’, segundo o titular da 143 DP, demonstravam frieza, desprezo pela vida humana e detalhamento meticuloso de cada etapa do plano. “O adolescente afirmou que agiu por amor e que faria tudo de novo”.
Os trâmites apontam que o inquérito terá desdobramento, com novas perícias psicológicas para avaliar o perfil dos envolvidos. “O tempo máximo de internação socioeducativa para adolescentes é de três anos, com reavaliações periódicas. Os adolescentes estão internados provisoriamente e devem responder por três homicídios triplamente qualificados e ocultação de cadáver”, pontua o delegado.
ENTENDA O CASO – Na noite de sábado (21), um adolescente de 14 anos matou os pais - Antônio Carlos Teixeira (45 anos) e Inaila de Oliveira Teixeira (37) – e o irmão Antônio Filho (quatro anos) a tiros no distrito de Comendador Venâncio, em Itaperuna. Em seguida, jogou os corpos em uma cisterna, a cerca de cinco metros do local. Na manhã de quarta-feira (24) confessou, depois de ter ido à delegacia, na segunda-feira, com uma avó, registrar o desaparecimento dos familiares.
A polícia iniciou as investigações, esteve na casa da família, descobriu vestígios e constatou a veracidade e o menor, friamente, confessou que teria usado a arma (um revólver) do próprio pai, revoltado por ter sido proibido viajar para encontrar-se com a namorada em Mato Grosso. Em ação rápida, o delegado Carlos Augusto e sua equipe avançaram e chegaram à elucidação.