Nestlé causa polêmica com plano de retirar bilhões de litros de água de nascente nos EUA

Empresa alega que as águas de nascente são uma fonte que se renova rapidamente

Por REVISTA PLANETA

Nestlé espera
Nestlé espera -

Flórida - A nascente Ginnie Springs, que fica na Flórida, EUA, é um lugar paradisíaco. Com suas águas cristalinas, o local atrai visitantes que vão dar um mergulho refrescante, observar tartarugas, praticar snorkel ou dar um passeio de caiaque em um lugar onde a natureza está intocada pelo homem.

Mas esse cenário pode mudar se a Nestlé conseguir permissão para colocar em prática seu plano de retirar 4 bilhões de águas por dia da nascente, para engarrafar e vender a bebida.

Segundo reportagem do jornal “The Guardian”, O projeto da empresa enfureceu ambientalistas, que alegam que a nascente não suportaria a retirada de um volume tão grande de água. A Nestlé alega que as águas de nascente são uma fonte que se renova rapidamente, e promete um plano de manejo robusto, com agentes locais, para garantir a sustentabilidade do projeto.

De acordo com a matéria, a Nestlé aguarda que o órgão de manejo de água do rio Suwannee renove uma permissão de uso de uma empresa local, chamada Seve Springs, da qual a multinacional suíça pretende comprar a água.

Os opositores ao projeto começaram uma petição online e enviaram dezenas de emails para as autoridades responsáveis pela possível aprovação da licença. Segundo Merrillee Malwitz-Jipson, diretora da organização sem fins lucrativos Santa Fe River, o rio Santa Fe, do qual a nascente Ginnie Springs faz parte, já está em declínio, pois não há água suficiente saindo do aquífero que abastece a nascente, que é um local icônico e valorizado culturalmente pelos habitantes, além de ser um habitat importante para diversas espécies, como as tartarugas. Para ela, é impossível retirar milhões de litros de água da nascente sem causar nenhum impacto.

Segundo Stefani Weeks, engenheira do distrito de manejo de água do rio Suwannee, a permissão não será concedida caso a Seven Springs não consiga provar que o projeto não mudaria o nível ou fluxo de água e que não causaria nenhum impacto à qualidade da água, vegetação ou população animal.

Comentários