Canabidiol ajuda a reduzir tumorPixabay

Cientificamente comprovado como tratamento eficaz para doenças como Alzheimer, epilepsia e ansiedade, o canabidiol (CDB) também pode ser a chave para o tratamento do câncer. Pesquisa da Faculdade de Medicina da Augusta University, localizada no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, constatou que esse princípio ativo extraído da maconha foi capaz de diminuir consideravelmente o tumor cerebral do tipo glioblastoma, extremamente agressivo, em camundongos durante testes clínicos.
Resistente a medicamentos, esse tipo de tumor é atualmente tratado com base em cirurgia seguida de quimio e radioterapia. Apesar do avanço, o uso por pacientes brasileiros de um possível medicamento para esse tipo tumor no futuro esbarra no impasse da regulamentação de canabidiol no Brasil. Para fazer uso de medicamentos à base de canabidiol segundo a legislação atual, o paciente precisa de uma receita prescrita pelo médico, que só pode ser dada quando esgotados os tratamentos disponíveis no mercado brasileiro, bem como uma autorização da Anvisa para a importação do medicamento.
A retirada de medicamentos à base de cannabis da lista de substâncias proibidas pela Anvisa é recente, datada de 2015. Entretanto, outro fator delimita o acesso ao tratamento: o valor. O preço para a importação do produto, que pode chegar a R$2 mil, escancara a desigualdade que falta de regulamentação traz para o acesso ao tratamento.
Para além da delimitação de classe sobre quem pode acessar o tratamento, a empresária e ativista Thaina Zanholo explica que a política adotada em relação à cannabis também é retrógrada para a economia do Brasil. “Se formos parar para pensar que ano passado cerca de R$21 milhões foram destinados para outros países que fazem a produção ou cultivo de produtos de cannabis, vemos que esse dinheiro poderia ter sido revestido internamente, poderia ter criado empregos. Porém mais do que isso, uma produção nacional ao invés da importação baratearia o produto e iria democratizar os medicamentos entre os pacientes que precisam”, diz.
Segundo o relatório “Cannabis para fins medicinais”, elaborado pela Kaya Mind, apenas no último semestre de 2021 o mercado de canabidiol movimentou R$ 21,8 milhões — estima-se que 34 mil pessoas estão autorizadas pela Anvisa para importar esses produtos. De acordo com a Anvisa, apenas em 2021, mais de 15,8 mil pedidos de autorização para a importação chegaram ao órgão.

Projeto de lei travado
O projeto de lei que regulamenta o plantio e a manipulação da Cannabis para fins medicinais no Brasil está há seis meses travado na Câmara dos Deputados. De acordo com Thaina Zanholo, criadora da plataforma de conteúdo Nowdays que é voltado para a produção conteúdo sobre a cannabis, um reflexo de como a regulamentação da maconha medicinal ainda é tratada com base no preconceito.
“A produção interna de cannabis para fins medicinais é tratada como um jogo político. As pessoas que precisam do produto tem que exportar, a preços altíssimos, um produto que poderia ser produzido e comercializado aqui. São crianças, idosos e adultos que precisam se submeter a tratamentos com remédios fortíssimos porque o tratamento natural, a base de planta, ainda é visto com maus olhos. É nítido que há viés além de político, religioso e conservador por trás disso”, diz.
Esse impasse, segundo a ativista, apenas faz com que os avanços nos tratamentos não cheguem a quem precisa, como a cannabis continue sendo atrelada à droga. “A unica forma de desatrelar a cannabis do tráfico e dessa visão deturpada e racista da plantaé passando informações e desburocratizando o acesso aos tratamento. Desta forma a cannabis se torna uma aliada e não uma droga, assim como outras plantas medicinais, ela é uma aliada do bem-estar”, defende Thainá Zanholo.