Presidente da Rússia, Vladimir PutinAFP
Aqui estão alguns dados sobre a mobilização militar russa na fronteira com a Ucrânia, que gerou há semanas uma grande crise entre Rússia e os países ocidentais e multiplicou o medo de uma guerra no leste da Europa.
Quantos e onde se encontram?
Atualmente a Rússia dispõe de forças consideráveis em seu próprio território e também em Belarus, na anexada península da Crimeia e no Mar Negro, ou seja, sobre as fronteiras leste, norte e sul com a Ucrânia. Moscou nunca forneceu números de seus efetivos mobilizados.
Os únicos dados disponíveis são os estimados pelos países ocidentais, baseados sobretudo em imagens de satélite. Nos últimos dias calculam entre "mais de 100 mil" soldados, de acordo com a Otan, e "mais de 150 mil", segundo o presidente americano Joe Biden.
A Rússia também enviou material pesado, como tanques, mísseis e baterias de defesa antiaérea.
No entanto, ao contrário de uma mobilização semelhante realizada durante a primavera (boreal) de 2021, a Rússia, sempre segundo terceiros, desta vez teria enviado equipamento médico e grandes reservas de combustível, elementos essenciais para estabelecer cadeias de abastecimento em caso de invasão.
A maioria das imagens disponíveis foi publicada nas redes sociais por testemunhas oculares, que durante semanas filmaram filas de tanques estacionados nos arredores de cidades fronteiriças e inclusive trens com equipamento militar atravessando a Rússia de leste a oeste.
Verdadeira ou falsa retirada?
Nesta quinta-feira, o ministério da Defesa divulgou imagens de caminhões militares guardados em um trem que abandonava a Crimeia. Também anunciou a partida de uma quantidade indeterminada de blindados estacionados no oeste russo.
Belarus, aliado da Rússia, afirmou que os efetivos russos mobilizados para essas manobras, que são muitos, mas não foram quantificados, abandonarão o país ao finalizarem os exercícios, em 20 de fevereiro.
Esses anúncios, no entanto, são refutados pelos ocidentais.
"Agora sabemos que é falso", afirmou na quarta-feira à noite um anônimo alto funcionário da Casa Branca, acusando Moscou de enviar "até 7 mil" soldados suplementares para perto da Ucrânia.
Por sua vez, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski afirma ter constatado apenas "pequenas rotações".
O que é necessário para uma desescalada?
Para ele, a passagem de uma fase de "preparação hipercombatente para um cenário com perfil mais pacífico levaria mais de um mês".
O Ocidente, com os americanos à frente, insiste que uma invasão russa poderia se concretizar em breve.
A Rússia nega qualquer intenção agressiva contra a Ucrânia, ex-república soviética, a qual Vladimir Putin não quer que se integre à Otan.
Moscou se esforça para que suas manobras militares sejam vistas como simples exercícios de rotina. Mas a mobilização nos arredores da Ucrânia de unidades normalmente estacionadas no Extremo Oriente russo sugere que planeja um ataque.
O retorno aos quartéis a 5 mil, 6 mil ou 8 mil quilômetros do front teórico representaria um sinal tranquilizador.
Outro sinal de uma desescalada seria a reativação das negociações de paz relativas ao conflito no leste ucraniano. No entanto, nesta semana o Parlamento russo (Duma) pediu a Putin para reconhecer a independência dos separatistas pró-russos que lutam contra as forças ucranianas desde 2014, algo preocupante para os ocidentais.
Na terça-feira, a Ucrânia sofreu um novo ataque cibernético que afetou particularmente a sede do ministério da Defesa e o banco local. Kiev acusou Moscou, que nega envolvimento.
Especialistas militares estimam que uma eventual ofensiva militar russa poderia ser precedida por uma grande sabotagem digital.







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