Principais fatores de risco para saúde bucal são o alto consumo de açúcar, álcool e uso de tabacoTânia Rêgo/Agência Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, nesta quinta-feira, 17, que quase metade da população mundial sofre de doenças bucais, dentes cariados, gengivas inflamadas, perdas de dentes ou câncer. Os dados foram divulgados no primeiro panorama completo da organização sobre a situação, que acomete 194 países.
No novo relatório, a OMS constata que cerca de 3,5 bilhões de pessoas - o que representa 45% da população mundial, têm as doenças. Nos últimos 30 anos, houve um aumento de 1 bilhão de casos registrados, acrescenta a organização.
"A saúde bucal tem sido negligenciada na saúde global", afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em um comunicado, embora medidas de prevenção de baixo custo possam evitar muitos dos problemas.
Os dados são uma "indicação clara de que muitas pessoas não têm acesso à prevenção e ao tratamento de doenças bucais", detalha o documento. A cárie dentária não tratada é a doença mais comum, afetando cerca de 2,5 bilhões de pessoas em todo mundo.
Estima-se que a gengivite grave, uma das principais causas de perda total de dentes, afete até 1 bilhão de pessoas. A cada ano, quase 380.000 novos casos de câncer bucal são diagnosticados, de acordo com a OMS.
Os principais fatores de risco são o alto consumo de açúcar, uso de tabaco e consumo de álcool. A organização incentiva as autoridades a combaterem esses fatores de risco comuns, "promovendo uma dieta balanceada com baixo teor de açúcares, interrompendo o consumo de tabaco em todas as suas formas, reduzindo o consumo de álcool e proporcionando melhor acesso a cremes dentais fluoretados eficazes e acessíveis".
O relatório destaca ainda as desigualdades gritantes no acesso aos serviços de saúde bucal, dando ênfase ao enorme fardo que essas doenças, muitas vezes altamente visíveis e impossíveis de esconder, impõem às populações mais vulneráveis e desfavorecidas.
De acordo com o documento, cerca de 75% dos acometidos vivem em países de baixa e média rendas. Mundialmente, os mais privados de acesso adequado e cuidados de alto custo são os pobres, deficientes, idosos e vulneráveis. Os gastos podem ser "catastróficos" e "um fardo financeiro significativo para famílias e comunidades", adverte a OMS.
Ao mesmo tempo, a dependência de fornecedores altamente especializados e de equipamentos de alta tecnologia torna esses serviços inacessíveis para muitos, enquanto a falta de informação e de profilaxia impossibilita uma ação a tempo.
A OMS apresentou ainda uma longa lista de propostas sobre como enfrentar o problema, onde pediu aos países que incluam serviços de saúde bucal em seus sistemas de atenção primária à saúde.