Ataque do Hamas matou 1.218 pessoas, enquanto a retaliação de Israel resultou em 48.458 mortes em Gaza AFP
Israel realiza ataque aéreo em Gaza enquanto negocia extensão de trégua
Segundo o porta-voz do Ministério da Saúde palestino, apenas 10% dos suprimentos médicos necessários conseguiram entrar, agravando a crise humanitária
Neste domingo (9), Israel realizou um ataque aéreo contra um grupo de combatentes no norte da Faixa de Gaza, enquanto continuam os esforços para estender a trégua em vigor no território palestino. O movimento islamista Hamas pediu negociações imediatas sobre a segunda fase do cessar-fogo, que visa o fim definitivo do conflito.
Israel, no entanto, prefere a extensão da primeira fase da trégua até meados de abril, que terminou no início deste mês, e desde então, cortou novamente o fornecimento de ajuda a Gaza.
Representantes do Hamas se reuniram com mediadores no Cairo neste fim de semana, buscando retomar as entregas de ajuda humanitária "sem restrições ou condições", conforme comunicado do grupo. O líder do Hamas, Mahmoud Mardawi, enfatizou a urgência de iniciar as negociações para a segunda fase do cessar-fogo, destacando que as principais demandas incluem a retirada israelense total de Gaza, o fim do bloqueio, a reconstrução do território e apoio financeiro.
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que enviará delegados ao Catar para continuar as discussões sobre a trégua.
Apesar do fim da primeira fase, ambos os lados têm evitado um retorno à guerra total, embora episódios esporádicos de violência tenham ocorrido. Neste domingo, o Exército israelense anunciou um ataque contra combatentes que enterravam um dispositivo explosivo no norte da Faixa de Gaza.
A trégua de seis semanas encerrou 15 meses de combates em Gaza, onde grande parte da população foi deslocada pela campanha militar israelense, que teve início após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Durante a primeira fase da trégua, foram trocados 25 reféns israelenses, vivos e mortos, por 1.800 prisioneiros palestinos em Israel.
Embora tenha permitido a entrada de alimentos e ajuda médica, Israel bloqueou novamente a assistência. Segundo o porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, apenas 10% dos suprimentos médicos necessários conseguiram entrar, agravando a crise humanitária.
Uma viúva palestina deslocada, Haneen al Dura, relatou que ela e seus filhos viveram nas ruas "entre cães e ratos" antes de receberem uma barraca para morar.
Em relação aos reféns, 58 dos 251 sequestrados pelos milicianos palestinos em outubro de 2023 ainda permanecem em Gaza.
O ataque do Hamas ao território israelense matou 1.218 pessoas, a maioria civis, enquanto a campanha de retaliação de Israel resultou em 48.458 mortos em Gaza, também em sua maioria civis, de acordo com o Ministério da Saúde do território controlado pelo Hamas. As Nações Unidas consideram esses números confiáveis.

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