Presidente dos Estados Unidos, Donald TrumpAFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (6) que vai impor uma taxa adicional de 10% a "qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas do Brics". A medida foi anunciada em sua rede social Truth Social.
"Qualquer país que se alinhe com as políticas antiamericanas do Brics será cobrado com uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções a esta política. Obrigado pela atenção", escreveu Trump.

O grupo, formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, foi ampliado recentemente para 11 países e representa quase metade da população mundial e cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB).
reunião da cúpula ocorre no Rio de Janeiro e termina nesta segunda-feira (7). No encontro, os países integrantes do bloco sinalizaram "sérias preocupações" com as medidas protecionistas e unilaterais de comércio, em referência à guerra tarifária deflagrada pelo presidente norte-americano, sem citá-lo nominalmente. 
Trump afirmou no domingo aos jornalistas a bordo do avião presidencial que "provavelmente" receberá a aplicação das tarifas em 1º de agosto.

O republicano acrescentou que havia assinado mais de 10 cartas para informar os países sobre os aumentos das tarifas.

“Acredito que teremos a maioria dos países preparados para 9 de julho, seja uma carta ou um acordo”, disse Trump, antes de insistir que alguns acordos foram cumpridos.

Ao seu lado, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, confirmou que as tarifas começarão a ser aplicadas em 1º de agosto, “mas o presidente está definindo as tarifas e os acordos agora mesmo”.

'Pressão máxima'
Trump anunciou mais tarde na Truth Social que enviará nesta segunda-feira (7) aos parceiros comerciais as primeiras cartas informativas sobre as tarifas que serão impostas ou sobre os acordos alcançados.

“Tenho o prazer de anunciar que as Cartas de Tarifas dos Estados Unidos e/ou Acordos com vários países ao redor do mundo serão entregues a partir das 12h (13h de Brasília), de segunda-feira, 7 de julho”, anunciou Trump em sua rede social.

Washington mantém negociações com vários países para alcançar acordos comerciais que evitem as tarifas.

Com a China, o governo Trump concedeu uma trégua temporária para reduzir as tarifas de até três dígitos que foram impostas de maneira recíproca.

Até o momento, apenas Reino Unido e Vietnã conseguiram acordos comerciais com os Estados Unidos. Bessent disse que o governo está “próximo de vários acordos”, mas não citou com quais países.

O secretário do Tesouro negou que os Estados Unidos estejam ameaçando os países com sua política tarifária, embora tenha admitido que é necessário aplicar “pressão máxima”.

"Não é um novo prazo. Estamos dizendo que é o que aconteceu. Se você quiser acelerar as coisas, siga adiante. Se quiser retornar à tarifa antiga, a escolha é sua", disse.

O secretário citado como exemplo da União Europeia, ao afirmar que o bloco "está fazendo um progresso muito bom" após uma relutância inicial à modificação do acordo comercial com Washington.