Trum oferece uma recompensa de 50 milhões de dólares (cerca de 261 milhões de reais) pela captura de Maduro AFP
As tensões entre os dois governantes aumentaram desde que, há um mês, os EUA mobilizaram oito navios de guerra na região, sob o argumento de combater o tráfico de drogas, e Trump acusou Maduro de liderar um cartel.
"Maduro repetiu muitas mentiras nessa carta, e a posição do governo sobre a Venezuela não mudou", declarou a porta-voz da Casa Branca, Caroline Leavitt, em entrevista coletiva sobre a mensagem datada de 6 de setembro.
Na mensagem, Maduro pediu a Trump para "preservar a paz com diálogo e entendimento em todo o hemisfério" e classificou como "absolutamente falsas" as acusações de narcotráfico feitas por Washington.
O presidente venezuelano denunciou uma "ameaça" de "mudança de regime" e afirmou que o país está "livre da produção de drogas", alegando que apenas 5% da cocaína fabricada na vizinha Colômbia transita por território venezuelano.
Segundo Caracas, ao menos três lanchas que transportavam drogas foram destruídas em alto-mar por mísseis das forças americanas, que também enviaram uma dezena de caças para Porto Rico.
A Casa Branca não reconhece Maduro como presidente, alegando fraude eleitoral em sua reeleição em 2024, e oferece uma recompensa de 50 milhões de dólares (cerca de 261 milhões de reais) por sua captura, sob acusação de liderar o chamado "Cartel de los Soles".
"O reconhecimento do Cartel de los Soles como organização terrorista (…) responde corretamente à natureza do problema", declarou nesta segunda-feira Edmundo González Urrutia, ex-candidato presidencial que denunciou fraude nas últimas eleições.
"O cerco antinarcóticos no mar do Caribe liderado pelos Estados Unidos (…) constitui uma medida necessária para o desmantelamento da estrutura criminosa que ainda se ergue como único obstáculo para o restabelecimento da soberania popular na Venezuela", acrescentou em vídeo enviado a líderes mundiais reunidos em Nova York para a Assembleia Geral da ONU.
Exilado há um ano na Espanha após ordem de prisão, González Urrutia dividiu a mensagem com a opositora María Corina Machado, que está na clandestinidade após ser acusada de conspirar contra Maduro.
"Falta muito pouco para que recuperemos nossa soberania e a democracia. Estamos prontos para assumir as rédeas do novo governo", disse Machado.
Apesar do respaldo de parte da oposição, o ex-candidato presidencial e líder de outra corrente opositora Henrique Capriles afirmou na sexta-feira que não apoia uma intervenção militar dos EUA.
A Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre a Venezuela, criada pela ONU, apresentou nesta segunda-feira seu relatório sobre violações de direitos humanos no país e alertou para a intensificação da perseguição política.
"O Estado voltou a aumentar a repressão em momentos de maior tensão política, como na posse presidencial em janeiro (…) por meio de detenções em massa", disse a presidente da missão, a jurista portuguesa Marta Valiñas.

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