Militares assumiram o poder em MadagascarLuis Tato / AFP
O contingente militar CAPSAT assumiu o poder na terça-feira (14), minutos após a aprovação por maioria esmagadora no Parlamento do impeachment de Rajoelina, que aparentemente fugiu da nação insular do leste da África.
O presidente enfrentou mais de duas semanas de protestos de rua liderados por jovens manifestantes furiosos com a elite governante.
A capital, Antananarivo, amanheceu tranquila nesta quarta-feira, mas com uma relativa incerteza sobre o futuro do país.
O coronel Michael Randrianirina, comandante do CAPSAT e novo presidente de fato do país, afirmou na terça-feira que a transição vai durar menos de dois anos e deve incluir a reestruturação das principais instituições.
O processo será supervisionado por um comitê formado por oficiais do Exército e da Polícia.
Randrianirina, um crítico veemente do governo Rajoelina, prometeu organizar eleições em um prazo de 18 a 24 meses e disse que o comitê buscaria um "primeiro-ministro de consenso" para formar um novo governo.
O Tribunal Constitucional validou sua autoridade após aceitar a votação de destituição de Rajoelina.
A presidência denunciou "uma clara tentativa de golpe de Estado" e insistiu que Rajoelina, cujo paradeiro é desconhecido e que foi visto pela última vez em público há uma semana, "continua plenamente no cargo".
A ONU afirmou na terça-feira que aguardava "as águas se acalmarem", mas que está "preocupada com qualquer mudança inconstitucional de poder".
"Os líderes militares que tomaram o poder deveriam respeitar e proteger os direitos de todo o povo de Madagascar", afirmou a organização Human Rights Watch.
Andry Rajoelina viajou entre 11 e 12 de outubro, depois que "foram feitas ameaças explícitas e extremamente sérias contra a vida do chefe de Estado", informou a presidência em um comunicado divulgado na noite de quarta-feira.

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