Trump afirmou que os EUA têm mais armas nucleares do que outros paísesJim Watson/AFP
A decisão de retomar os testes é uma medida "responsável", defendeu nesta sexta-feira o chefe do Pentágono, Peter Hegseth. "Precisamos contar com uma dissuasão nuclear credível. Essa é a base da nossa dissuasão", afirmou. Os Estados Unidos não realizam testes de armas nucleares desde 1992.
O Irã, rival de Washington, criticou energicamente o anúncio de Trump nesta sexta-feira, classificando-o como uma medida "irresponsável" e "uma ameaça à paz e à segurança internacionais".
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, referiu-se a Trump como "um bandido armado com armas nucleares" que "demonizou o programa nuclear pacífico do Irã".
Trump ordenou ao Departamento de Defesa que retomasse os testes de armas nucleares após os anúncios de Vladimir Putin sobre o desenvolvimento de novas capacidades atômicas russas. "Por causa dos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a iniciar os testes de nossas armas nucleares em igualdade de condições", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
O vice-presidente americano, J.D. Vance, disse na quinta-feira que seu país precisa realizar esses testes atômicos para garantir que seu arsenal "funcione corretamente".
Trump afirmou que os Estados Unidos possuem mais armas nucleares do que qualquer outro país e elogiou seus próprios esforços para realizar "uma atualização e renovação completas das armas existentes". Ele acrescentou que Rússia e China estão atrás dos Estados Unidos em termos de armas nucleares.
No entanto, essa alegação é refutada por estatísticas do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), uma das principais referências no assunto, que afirma que a Rússia possui 4.309 ogivas nucleares implantadas ou armazenadas, em comparação com 3.700 dos Estados Unidos e 600 da China.
China critica testes
Trump não especificou a natureza dos testes anunciados, ou seja, se seriam ensaios de ogivas nucleares ou sistemas capazes de transportar uma carga atômica.
De todo modo, Washington é signatário do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares desde 1996, portanto qualquer teste de ogivas constituiria uma violação flagrante do acordo.
As declarações foram uma resposta a uma série de anúncios recentes de Putin, que no domingo passado, 26, comemorou o sucesso do teste final do míssil de cruzeiro Burevestnik que, segundo ele, tem "alcance ilimitado" e é capaz de burlar praticamente todos os sistemas de defesa.
Após as declarações de Trump, Moscou esclareceu que se tratavam de testes de armas capazes de transportar uma ogiva nuclear, e não de bombas nucleares propriamente ditas.
Pouco antes, a China instou os Estados Unidos a respeitarem "seriamente" a proibição de testes nucleares e a tomarem "medidas concretas para preservar o sistema global de desarmamento e a não proliferação nuclear".
Um porta-voz do secretário-geral da ONU pediu que nenhum teste nuclear seja realizado "sob nenhuma circunstância". "Todas as ações que possam levar a erros de cálculo ou a uma escalada com consequências catastróficas devem ser evitadas", acrescentou o porta-voz.
O tratado expira em fevereiro do ano que vem. Moscou propôs uma prorrogação de um ano, mas sem mencionar uma possível retomada das inspeções dos arsenais.

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