Martín Vizcarra foi presidente do Peru entre 2018 e 2020Ernesto Benavides / AFP

A justiça peruana condenou, nesta quarta-feira (26), o ex-presidente Martín Vizcarra a 14 anos de prisão por um caso de subornos recebidos na época em que era governador na região de Moquegua (sul), há 11 anos.

O político de centro esquerda que, durante sua Presidência, entre 2018 e 2020, foi um defensor da luta contra a corrupção, foi considerado culpado de ter recebido, entre 2011 e 2014, US$ 640 mil (aproximadamente R$ 1,69 milhão, em valores da época) de empreiteiras em troca da concessão de obras públicas em Moquegua.

"A pena a ser imposta é de 14 anos de pena privativa da liberdade", disse, na leitura da sentença, Fernanda Ayasta, presidente do Quarto Juizado Penal Colegiado Nacional.

"Este colegiado adverte que Martín Vizcarra cometeu atos ilícitos, aproveitando seu cargo como presidente regional de Moquegua, condicionando os proponentes para outorgar-lhes o parecer favorável em troca de dinheiro", acrescentou.

Vizcarra, de 62 anos, assistiu à leitura da sentença no tribunal de Lima e não se alterou quando ouviu a pena, constataram jornalistas da AFP. O Ministério Público havia pedido até 15 anos de prisão.

Vizcarra foi transferido durante a noite para a prisão exclusiva para ex-presidentes localizada dentro de uma base policial na zona leste de Lima, onde também estão presos Pedro Castillo (2021-2022), Ollanta Humala (2011-2016) e Alejandro Toledo (2001-2006).

"Nós vamos apelar, vamos tomar todas as medidas legais correspondentes", disse o advogado de Vizcarra, Erwin Siccha.

'Não é justiça, é vingança'
Vizcarra sempre alegou inocência e, após ficar detido por 22 dias este ano por suposto risco de fuga, respondia em liberdade ao julgamento, iniciado em outubro de 2024.

"Fui sentenciado por enfrentar o pacto mafioso. Não é justiça, é vingança. Mas não vão me submeter. O Peru vem primeiro e ninguém poderá silenciá-lo", disse Vizcarra em mensagem postada do tribunal em sua conta na rede social X.

A justiça peruana também o inabilitou a exercer cargos públicos durante nove anos.

Dezenas de apoiadores com cartazes e fotos de Vizcarra se reuniram em frente à sede do tribunal, no centro de Lima, em apoio ao ex-presidente.

Ele "é inocente, as provas não são contundentes, acreditamos no nosso líder", disse à AFP Yovana Flores, de 48 anos.