O governo do Benin declarou que uma tentativa de golpe de Estado foi frustrada, na manhã deste domingo (7), depois que um grupo de militares invadiu a televisão estatal e anunciou ter tomado o poder, destituindo o presidente Patrice Talon do cargo.
A tentativa de golpe acontece às vésperas de uma nova eleição presidencial, já que Talon deve deixar o cargo em abril do ano que vem, após dois mandatos à frente desse pequeno país costeiro da África Ocidental, que possui um crescimento econômico sólido, mas é afetado por violências jihadistas em sua região norte.
Em Cotonou, maior cidade do Benin, a situação permanecia incerta ao meio-dia de domingo. Tiros foram ouvidos na capital econômica, e soldados bloqueavam o acesso ao palácio presidencial. Em outras partes da cidade, os moradores seguiam suas atividades habituais.
Oito militares, usando boinas de cores variadas e armados com fuzis de assalto, apresentando-se como o “Comitê Militar para a Refundação” (CMR), anunciaram ter destituído o presidente. Eles proclamaram um tenente-coronel como “presidente do CMR” e justificaram sua tentativa de tomada de poder pela “degradação contínua da situação de segurança no norte do Benim”, pela “negligência em relação aos soldados mortos no front e às suas famílias deixadas à própria sorte”, assim como por “promoções injustas em detrimento dos mais meritórios”.
Também denunciaram uma suposta contestação disfarçada das liberdades fundamentais por parte do governo e apresentaram reivindicações sociais. Eles ainda disseram que instituições foram dissolvidas, a Constituição suspensa e fronteiras aéreas, terrestres e marítimas haviam sido fechadas.
Mais tarde, o ministro do Interior do Benim, Alassane Seidou, foi à televisão para informar que a tentativa foi frustrada. "Diante dessa situação, as forças armadas beninenses e sua hierarquia, fiéis ao seu juramento, permaneceram republicanas. Sua resposta permitiu manter o controle da situação e frustrar a manobra”, afirmou.
Essas declarações foram feitas enquanto tiros ainda eram ouvidos no domingo em Cotonou, segundo vários testemunhos recolhidos pela AFP. A equipe do presidente Talon havia afirmado à AFP, pela manhã, que ele estava seguro e que o Exército retomava o controle da cidade. “Trata-se de um pequeno grupo de pessoas que só tomou a televisão. O Exército regular está retomando o controle. A cidade (Cotonou) e o país estão totalmente seguros”, disse essa fonte.
O acesso à televisão nacional e à presidência estava bloqueado por militares, constatou um jornalista da AFP. Os acessos a várias áreas, incluindo o Sofitel, hotel cinco estrelas da capital econômica, assim como bairros que concentram instituições internacionais, também estavam interditados.
A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) condenou “firmemente essa ação inconstitucional, que constitui uma subversão da vontade do povo beninense”, dizendo “apoiar o governo e o povo (beninense) por todos os meios necessários”, em comunicado.
'Limpeza' em andamento
Uma fonte militar confirmou que a situação estava “sob controle” e que os golpistas não haviam tomado “nem a residência do chefe de Estado”, nem “a presidência da República”. “É uma questão de tempo para que tudo volte ao normal. A limpeza está avançando bem”, acrescentou essa fonte.
A história política do Benim foi marcada por vários golpes de Estado e tentativas. Patrice Talon, no poder desde 2016, deve concluir seu segundo mandato — o máximo permitido pela Constituição — em 2026. O principal partido de oposição está fora da disputa que colocará frente a frente o partido governista e um opositor considerado “moderado”.
Embora seja elogiado pelo desenvolvimento econômico do Benim, Patrice Talon é regularmente acusado por seus críticos de ter adotado um rumo autoritário em um país antes celebrado pelo dinamismo de sua democracia.
A África Ocidental tem registrado diversos golpes de Estado desde o início da década — no Mali, Burkina Faso, Níger, Guiné e, mais recentemente, no fim de novembro, na Guiné-Bissau.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.