O ano de 2025 começou sob o peso das incertezas. Logo em janeiro, Donald Trump retornou à Casa Branca, uma volta ao poder que afetou a vida dos migrantes em situação irregular, ameaçados com as iminentes deportações em massa. O presidente preparou mais de 100 ordens executivas para os primeiros meses de governo, em uma campanha de choque nas políticas de segurança de fronteiras, entre outras prioridades.
Ainda neste mês, Elon Musk foi anunciado como chefe do Departamento de Eficiência do Governo (DoGE, na sigla em inglês), um órgão criado para cortar gastos e reformular agências governamentais. A nomeação repercutiu nas redes sociais após o bilionário fazer um gesto supremacista durante seu discurso na posse de Trump. No fim de janeiro, houve a prisão de mais de 500 imigrantes e centenas foram deportados, em uma tentativa do governo americano de começar a “cumprir suas promessas”, segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Um acidente de avião marca o fim do mês nos Estados Unidos. A colisão no ar entre uma aeronave da American Airlines e um helicóptero militar em Washington, deixou 67 mortos, a pior catástrofe aérea dos Estados Unidos desde que um avião da mesma empresa caiu logo após a decolagem do aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, em novembro de 2001.
Fevereiro
Musk anunciou que a administração do presidente americano poderia cortar US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,88 trilhões) do déficit de US$ 2 trilhões que possuem no próximo ano. Uma juíza federal americana concedeu uma liminar bloqueando o decreto executivo de Donald Trump que eliminava a concessão automática de cidadania americana às crianças filhas de imigrantes sem documentos ou temporários nascidas nos Estados Unidos. Além disso, o governo do republicano entrou com uma ação judicial contra o estado de Illinois e a cidade de Chicago acusando as proteções regionais e municipais de interferirem em suas operações anti-imigração.
No Sudão, mais de 200 civis morreram em ataques cometidos por paramilitares em duas localidades distintas. O país está mergulhado em uma guerra desde abril de 2023 entre os paramilitares e o Exército.
Outro acontecimento importante foi a morte de Gene Hackman, de 95 anos. O ator norte-americano e vencedor de duas estatuetas do Oscar foi encontrado morto dentro de casa no Novo México, nos Estados Unidos.
Na política internacional, foi destaque a reunião entre Volodimir Zelensky e Donald Trump. Os presidentes tiveram um encontro marcado por troca de farpas e discussões acaloradas no famoso Salão Oval.
Março
Em março, a SpaceX, fabricante estadunidense de sistemas aeroespaciais, transporte espacial e comunicações, lançou uma missão para resgatar astronautas presos no espaço por nove meses, desde junho de 2024. No ano passado, a Nasa tentou recuperar os tripulantes, mas devido a problemas técnicos, a tentativa fracassou.
Abril
O mês foi marcado por eventos globais que misturaram luto, crise política e conflitos internacionais. Logo no início, o ator americano Val Kilmer, famoso por seus papéis em "Top Gun" e "Batman Eternamente", morreu aos 65 anos, vítima de pneumonia. Simultaneamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o "Dia da Libertação" (2 de abril) para apresentar novas tarifas que ameaçavam provocar uma grande batalha comercial, com as principais economias do mundo prometendo represálias.
No campo das catástrofes naturais, o mês trouxe a atualização sobre o devastador terremoto de março em Mianmar. A imprensa estatal anunciou que o número de mortos havia ultrapassado os 3,3 mil, com 4.508 feridos e 220 desaparecidos.
A Igreja Católica entrou em luto após a morte do Papa Francisco, aos 88 anos, devido a um derrame. Fiéis se despediram do líder religioso na Basílica de São Pedro, no Vaticano. No fim do mês, os cardeais começaram o conclave, reunião que busca encontrar um sucessor para ocupar o cargo mais alto da religião.
As tensões internacionais também se manifestaram, com Israel realizando um ataque aéreo na Síria contra um "grupo extremista" para enviar uma "mensagem firme" sobre a proteção da comunidade drusa.
Maio
Em mais uma tentativa de afastar os imigrantes de seu país, Donald Trump anunciou um novo programa que oferecia assistência de viagem e o pagamento de US$ 1 mil (cerca de R$ 5.673) para imigrantes que decidirem se autodeportar utilizando um aplicativo oficial do governo americano.
O novo papa foi eleito no dia 8 de maio, com a fumaça branca sendo expelida pela chaminé da Capela Sistina como símbolo da decisão. Robert Francis Prevost, um americano de 70 anos, foi nomeado Papa Leão XIV.
No dia 13, Pepe Mujica, ex-presidente uruguaio e referência para a esquerda latino-americana, morreu aos 89 anos, deixando um legado de resistência.
Em 19 de maio, o primeiro voo com imigrantes que se "autodeportaram" dos Estados Unidos partiu do Texas para Honduras e Colômbia com 64 pessoas a bordo. Ainda na política anti-imigratória de Trump, em uma nova escalada da tensão com Harvard, o governo estadunidense retirou da universidade a possibilidade de admitir estudantes estrangeiros. Mas uma juíza bloqueou temporariamente a decisão.
Em uma reunião com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, na Casa Branca, Trump acusou o líder de genocídio contra a minoria branca do país africano. No fim do mês, Musk anunciou que deixaria o governo dos Estados Unidos, no qual comandava o Departamento de Eficiência Governamental.
Junho
Junho foi um mês marcado por escaladas de conflito, crises políticas e recordes climáticos. No âmbito da política americana e imigração, Trump assinou um decreto que visava a impedir a entrada dos estudantes estrangeiros admitidos na Universidade de Harvard, alegando riscos à segurança nacional. Dias depois, o presidente dos EUA mobilizou 2 mil membros da Guarda Nacional para Los Angeles a fim de controlar protestos contra as operações de agentes federais de imigração.
Elon Musk também declarou que Donald Trump estaria nos arquivos de Jeffrey Epstein, sugerindo ser esta a razão pela qual os documentos não haviam sido tornados públicos.
O Oriente Médio foi palco da "Guerra de 12 Dias" entre Israel e Irã, que se intensificou quando Israel lançou um ataque em 12 de junho, resultando na morte do chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, de outros oficiais militares de alto escalão e de seis cientistas nucleares no dia seguinte. O bombardeio, que atingiu alvos em Teerã, foi seguido por uma retaliação iraniana com o lançamento de mais de 100 drones. O regime dos aiatolás classificou a ação israelense como uma "declaração de guerra". O conflito só terminou no dia 23, quando Donald Trump anunciou um cessar-fogo mediado entre Israel e Irã.
O mês chegou ao fim trazendo à tona a crise climática na Europa, onde uma onda de calor escaldante atingiu o sul do continente. A Espanha registrou a temperatura recorde de 46ºC. A superfície do Mar Mediterrâneo chegou a 26,01º C, a mais alta temperatura já registrada para o mês.
Julho
Julho foi marcado por intensa atividade política nos Estados Unidos e crises políticas no cenário mundial, começando com a aprovação no Congresso da lei de gastos e impostos do presidente Donald Trump, que consolidou cortes de impostos e impôs novas exigências ao Medicaid (programa de assistência à saúde voltado a pessoas de baixa renda).
Em paralelo às vitórias legislativas, Trump enfrentou crescente pressão de sua base republicana para maior transparência na divulgação de documentos relacionados ao caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein, ao mesmo tempo em que a ofensiva federal contra imigrantes em Los Angeles causava forte impacto econômico, com lojistas relatando que a situação estava "pior do que a pandemia" devido à queda de 80% nas vendas.
Líderes das 11 maiores economias emergentes do mundo assinaram, no Rio de Janeiro, a Declaração Conjunta da 17ª Cúpula do Brics. O documento trazia o lema "Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável" e selou o compromisso do grupo com o fortalecimento do multilateralismo, a defesa do direito internacional e a busca por uma ordem global mais equitativa.
O Irã suspendeu oficialmente a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), após uma guerra com Israel. Na Síria, uma semana de violência na província de Sweida entre combatentes drusos e grupos rivais resultou em mais de 1,1 mil mortes e 128 mil pessoas deslocadas. A "calma relativa" só veio após um cessar-fogo intermediado pelos EUA.
A Tailândia precisou evacuar mais de 100 mil civis após os piores enfrentamentos militares em mais de uma década com o Camboja.
O mês também foi de luto, com a morte do ícone do heavy metal Ozzy Osbourne em 22 de julho, aos 76 anos, e do astro da luta livre e ator Hulk Hogan em 24 de julho, aos 71 anos, após uma parada cardíaca.
Agosto
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, reuniram-se no Alasca para discutir formas de solucionar o conflito na Ucrânia, encerrando o diálogo como "muito produtivo", mas sem um acordo fechado. Enquanto isso, a Casa Branca informou que o governo Trump havia detido "mais de 300 mil imigrantes" em situação irregular nos seis primeiros meses de sua administração, como resultado de uma política migratória drástica.
No final do mês, o chefe do Executivo dos EUA também demitiu a diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook, citando falta de confiança em sua integridade e acusando-a de conduta "enganosa e potencialmente criminosa".
No âmbito ambiental, a Espanha sofreu com uma nova forte onda de calor que durou de 3 a 18 de agosto, resultando em mais de 1,1 mil mortes que podem ser atribuídas ao fenômeno meteorológico.
Setembro
No campo político americano, a morte do ativista de direita Charlie Kirk, um aliado do presidente Donald Trump, baleado no dia 10 na Utah Valley University, chocou o país.
A diplomacia foi surpreendida quando Reino Unido, Austrália, Canadá e Portugal reconheceram o Estado da Palestina, o que foi classificado por Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, como um "perigo" para Israel. O Catar, mediador-chave nas negociações de trégua em Gaza, declarou que Netanyahu "deveria ser julgado" após um ataque israelense em Doha.
Setembro também viu a canonização de Carlo Acutis, o primeiro santo da geração millenial, na primeira cerimônia de santificação do Papa Leão XIV no Vaticano.
O mundo das celebridades sofreu perdas com a morte do estilista italiano Giorgio Armani, aos 91 anos, do ícone de Hollywood Robert Redford, aos 89 anos, e da diva do cinema italiano Claudia Cardinale, aos 87 anos.
O mês foi marcado por um terremoto de magnitude 6 no Afeganistão, que resultou em mais de 2,2 mil mortos, e pelo descarrilamento do Elevador da Glória em Lisboa, que deixou ao menos 15 mortos.
Outubro
O mês foi marcado por uma série de eventos políticos e globais de grande repercussão, começando com a paralisação do governo dos Estados Unidos (o "shutdown") no dia 1º, após um impasse orçamentário no Congresso, com Trump culpando os democratas pela situação. Em meio ao shutdown, que afetou centenas de milhares de funcionários, o presidente ameaçou não garantir o pagamento retroativo para os trabalhadores federais.
Um acordo de cessar-fogo entre o Exército israelense e o Hamas entrou em vigor em Gaza no dia 10, após anúncio de paz do presidente Trump. Apesar disso, a região ainda vive um período de medo e incerteza.
A França, por sua vez, viveu o agravamento de sua crise política com a renúncia e posterior renomeação de Sébastien Lecornu ao cargo de primeiro-ministro, e a prisão do ex-presidente Nicolas Sarkozy para cumprir uma pena de 5 anos por financiamento ilegal de sua campanha eleitoral de 2007.
Outros destaques do mês incluem o lançamento bem-sucedido do 11º voo de teste do megafoguete Starship da SpaceX e as mortes da conservacionista e pesquisadora de chimpanzés Jane Goodall, aos 91 anos, e da atriz vencedora do Oscar Diane Keaton, aos 79 anos.
Novembro
A 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30) foi realizada em Belém (PA), a primeira feita na Amazônia. Foram duas semanas decisivas para a ação global contra as mudanças climáticas.
Na França, o ex-presidente Nicolas Sarkozy saiu da prisão, recebendo liberdade condicional sob supervisão judicial após cumprir menos de três semanas de sua sentença.
Nos Estados Unidos, os parlamentares alcançaram um acordo provisório para encerrar a paralisação do governo federal (shutdown), que se estendeu por 40 dias e havia suspendido diversos serviços públicos, além de cancelar centenas de voos devido à suspensão das atividades por parte dos contralodores em diversos aeroportos.
O continente asiático, por sua vez, sofreu com o impacto de tempestades devastadoras: o tufão Kalmaegi deixou um rastro de destruição nas Filipinas, com pelo menos 142 mortos e 127 desaparecidos, sendo considerado o tufão mais letal registrado no planeta em 2025. A crise nas Filipinas se agravou com a aproximação do supertufão Fung-wong, que levou à retirada preventiva de quase 1,2 milhão de pessoas de suas casas. Os desastres se estenderam ao Vietnã, onde o número de mortos nas inundações causadas por chuvas intensas foi 90, gerando perdas econômicas estimadas em 343 milhões de dólares.
Novembro também registrou a morte do diretor britânico Peter Watkins, vencedor do Oscar e pioneiro do estilo "docudrama".
Dezembro
No último mês do ano, um incêndio atingiu um conjunto residencial em Hong Kong e deixou mais de 150 mortos.
Trump ameaça invadir a Venezuela para combater os cartéis do narcotráfico e grupos do crime organizado. O líder dos EUA faz isso por meio de dezenas de ataques a lanchas no Caribe. Além disso, Lula e Trump negociam a retirada das sobretaxas sobre os produtos brasileiros. A União Europeia também fecha um acordo para proibir importações de gás russo até 2027.
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