Trump elevou o tom de ameaça contra o IrãAFP
O Irã é palco desde domingo, 28 de dezembro, de importantes mobilizações desencadeadas pelo alto custo de vida. Os protestos começaram com o fechamento de comércios em Teerã, a capital, mas se estenderam a outros setores e regiões do país.
Pelo menos seis pessoas, entre elas um membro das forças de segurança, morreram na quinta-feira, 1º, no contexto dessas manifestações no oeste do país, indicaram os meios de comunicação locais. Foram os primeiros confrontos mortais desde o início das mobilizações.
"Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é de seu costume, os Estados Unidos acudirão em seu socorro", escreveu Trump nesta sexta-feira em sua plataforma Truth Social. "Estamos preparados e prontos para agir", acrescentou.
Uma declaração que o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, classificou como "imprudente e perigosa", e alertou que as forças armadas estão "atentas" caso ocorra qualquer intervenção.
E Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo Ali Khamenei, afirmou na mesma plataforma que "a segurança do Irã é uma linha vermelha".
"Qualquer intervenção que atente contra a segurança do Irã, sob qualquer pretexto, enfrentará uma resposta contundente", sublinhou.
Nos últimos dias, o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, classificou os protestos como "legítimos" e pediu a seus funcionários que escutem as demandas dos manifestantes.
"Do ponto de vista islâmico (...), se não resolvermos o problema dos meios de subsistência das pessoas, acabaremos no inferno", declarou em um discurso transmitido pela televisão.
Alguns funcionários, no entanto, advertiram que responderiam com firmeza diante de qualquer instabilidade.
"A polícia distingue claramente entre as demandas legítimas da população e as ações destrutivas (...) e não permitirá que nenhum inimigo transforme os protestos em caos", afirmou em um comunicado.
Hiperinflação
A República Islâmica sofre há anos com um encarecimento desenfreado dos produtos básicos e uma crônica desvalorização de sua moeda.
No último ano, o rial perdeu mais de um terço de seu valor frente ao dólar, enquanto a hiperinflação de dois dígitos enfraquece há anos o poder de compra dos cidadãos, em um país sufocado por sanções internacionais.
O movimento de protesto chega em um momento em que o Irã se encontra enfraquecido após os duros golpes sofridos por seus aliados regionais em Gaza, Líbano e Síria.
Essa questão prejudica há anos as relações entre Teerã e as potências ocidentais. Tanto os Estados Unidos quanto Israel suspeitam que o governo iraniano busque se dotar da bomba atômica, algo que a República Islâmica sempre negou.
Em abril, Irã e Estados Unidos iniciaram negociações, com mediação de Omã, sobre o programa nuclear.
Mas elas ficaram estagnadas em junho, quando Washington bombardeou as instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio de Fordo, ao sul de Teerã, assim como as instalações nucleares de Isfahã e Natanz, no centro do país.
O presidente norte-americano prometeu na segunda-feira "erradicar" qualquer tentativa de Teerã de reconstruir seu programa nuclear ou seu arsenal de mísseis balísticos.
As manifestações, por enquanto, são menos significativas do que as que sacudiram o país no fim de 2022 após a morte sob custódia de Mahsa Amini. A jovem foi acusada de violar o rigoroso código de vestimenta para mulheres no Irã, e sua morte desencadeou uma onda de indignação que deixou várias centenas de mortos.
O Irã também viveu uma onda de protestos em 2019, desencadeada pelo aumento do preço dos combustíveis.

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