Reabertura da fronteira não significa aumento da ajuda humanitária enviada a GazaAFP
Um funcionário de alto escalão israelense anunciou na manhã desta segunda-feira a abertura da passagem fronteiriça nos dois sentidos para os residentes, após a chegada da missão europeia de vigilância Euban Rafah. Segundo um meio de comunicação egípcio, nos primeiros dias apenas 50 pessoas poderão transitar. Já a televisão israelense Kan anunciou que cerca de 150 pessoas sairão de Gaza nesta segunda-feira, entre elas 50 doentes, e outras 50 chegarão do Egito. A fronteira abrirá cerca de seis horas por dia, acrescentou.
Uma fonte na fronteira declarou à AFP que apenas algumas dezenas de pessoas chegaram pelo lado egípcio na esperança de conseguir atravessar. As autoridades israelenses, que controlam o posto fronteiriço pelo lado palestino, não mencionaram por enquanto um possível aumento da ajuda a Gaza, mergulhada em uma grave crise humanitária.
A ajuda internacional proveniente do Egito transita até agora pelo posto fronteiriço israelense de Kerem Shalom, a poucos quilômetros de Rafah.
Salva-vidas
Asma Al Arqan, uma estudante palestina, afirma que a abertura de Rafah é sinônimo de um futuro melhor porque lhe permitiria prosseguir os seus “estudos no exterior”.
Desde essa data, pelo menos 71.795 palestinos morreram no pequeno território costeiro devido à campanha militar israelense de represália, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, sob a autoridade do Hamas. A ONU considera esse número confiável.
Cessar-fogo frágil
Israel e o Hamas se acusam diariamente de violar o cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro. Pelo menos 32 pessoas morreram no sábado em ataques israelenses, informou a Defesa Civil de Gaza. O Exército israelense afirma ter agido depois que militantes saíram de um túnel em Rafah.
O porta-voz do movimento palestino em Gaza, Hazem Qasem, advertiu no domingo que “qualquer obstrução ou condição prévia imposta por Israel” constituiria “uma violação” da trégua.
Os palestinos que desejarem voltar a Gaza poderão levar uma quantidade limitada de bagagem, sem objetos metálicos ou eletrônicos, e com quantidades limitadas de medicamentos, segundo a embaixada palestina no Cairo.
O posto fronteiriço está situado em um setor ainda ocupado pelo Exército israelense, do outro lado da linha amarela, que marca sua retirada de aproximadamente metade da Faixa de Gaza segundo a primeira fase do plano Trump.
Sua reabertura também deverá permitir a entrada em Gaza, em data ainda desconhecida, dos 15 membros do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), encarregado de gerir o território durante um período de transição sob a autoridade do “Conselho da Paz” presidido por Donald Trump.

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